A FNC (Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia) colocou em prática um plano emergencial para identificar e atender produtores afetados pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país nesta segunda-feira (10), com impactos sobre importantes regiões produtoras de café.
Segundo informações publicadas pelo jornal colombiano La República e pela própria Federação nas redes sociais, o trabalho será concentrado inicialmente em Risaralda, Valle del Cauca, Caldas, Antioquia, Chocó e Quindío. Parte desses departamentos integra ou está ligada ao chamado Eixo Cafeeiro colombiano, uma das principais regiões produtoras do país.
Não há dados oficiais ainda sobre o tamanho das perdas de café. A Colômbia têm duas colheitas e vai de outubro de um ano até setembro de outro.
A safra de café da Colômbia foi projetada em cerca de 13,4 a 14 milhões de sacas de 60 kg para 2026/27. O país é o terceiro maior produtor mundial e o principal produtor de arábica lavado, contando com 840 mil hectares de cultivo.
O gerente-geral da Federação, Germán Bahamón, anunciou que a entidade fará um levantamento família por família para dimensionar os prejuízos nas áreas rurais e identificar as necessidades dos cafeicultores atingidos.
A operação será liderada pelo diretor de Desenvolvimento Social da Federação, Guillermo Arcila, em conjunto com a gerência técnica, a área de alianças e projetos, os comitês departamentais e o serviço de extensão rural.
Os extensionistas da Federação irão às propriedades para levantar os danos e identificar as necessidades de cada família.
Moradias e produção são prioridades
A primeira etapa do plano será concentrada nas moradias rurais. A Federação pretende identificar casas que precisam de reparos, reforços estruturais, reconstrução ou substituição.
Também serão avaliados os prejuízos à infraestrutura produtiva das propriedades cafeeiras. Entre as estruturas que serão verificadas estão secadores de café, sistemas de abastecimento de água e equipamentos utilizados pelos produtores.
O objetivo, segundo a entidade, é permitir que as famílias recuperem não apenas suas moradias, mas também a capacidade de trabalhar e produzir.
Em uma segunda etapa, o levantamento será ampliado para a infraestrutura das comunidades rurais. A Federação pretende avaliar danos em aquedutos, escolas, estradas vicinais, pontes e acessos considerados críticos.
As informações coletadas serão apresentadas ao governo colombiano e às autoridades locais para auxiliar na definição das ações de reconstrução das áreas rurais.
Federação mobiliza estrutura no Eixo Cafeeiro
Nas redes sociais, a Federação Nacional dos Cafeicultores manifestou solidariedade às famílias e comunidades atingidas pelo terremoto, com atenção especial aos moradores do Eixo Cafeeiro.
Bahamón afirmou que a instituição pretende colocar sua estrutura à disposição das autoridades durante a emergência.
Nas primeiras 72 horas após o terremoto, segundo ele, a prioridade é o resgate e atendimento das vítimas. Depois da fase emergencial, a Federação pretende atuar diretamente no processo de reconstrução das regiões cafeeiras.
O dirigente lembrou experiências anteriores da instituição na recuperação de áreas atingidas por grandes desastres na Colômbia, entre elas as tragédias de Armero, Popayán e Armenia.
Segundo Bahamón, a experiência do setor cafeeiro nesses episódios mostrou que a estrutura institucional da Federação pode funcionar como instrumento para executar projetos de reconstrução rural diretamente nos territórios.
Ainda não há um balanço consolidado sobre eventuais perdas na produção de café provocadas pelo terremoto. O levantamento iniciado pela Federação deverá ajudar a dimensionar os impactos sobre propriedades, infraestrutura produtiva e logística nas principais regiões atingidas.

