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El Niño pode reduzir produtividade da safra 2026/27, alerta secretário

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

A possibilidade de um El Niño “de forte a muito forte” pode reduzir a produtividade da safra brasileira 2026/27 em um momento de fragilidade financeira dos produtores. O alerta é do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Guilherme Campos.

Em entrevista à CNN, Campos afirmou que o governo acompanha as projeções climáticas diante da possibilidade de ocorrência do fenômeno e demonstrou preocupação com a combinação entre condições meteorológicas adversas.

“O produtor rural está numa situação bem delicada. Endividamento, queda na margem dos seus produtos, aumento de custos, a taxa de juros continua sendo muito alta”, afirmou.

Segundo o secretário, mesmo as taxas subsidiadas oferecidas pelo Plano Safra permanecem elevadas diante da situação financeira enfrentada no campo.

“Por mais que o Plano Safra consiga baixar essa taxa de juros, ainda é muito alta. Meu sonho de consumo é ter na agricultura do Mapa a taxa de juros que tem na agricultura do MDA”, disse.

Campos não vê queda expressiva no volume de produção, que, de acordo, com projeções de consultorias e do setor público deve ser recorde este ano. O maior risco, segundo ele, está na produtividade e na qualidade das lavouras.

O cenário não necessariamente levará a uma redução da área plantada na safra 2026/27, acrescenta.

“A área plantada, acho difícil [cair]. Mas pode cair na qualidade daquela safra”, afirmou.

O risco está relacionado à possibilidade de o agricultor reduzir investimentos para diminuir sua exposição financeira.

Diante de custos elevados e incertezas climáticas, produtores podem, por exemplo, economizar na compra de fertilizantes e em outros insumos que ajudam a elevar o rendimento das lavouras.

“É a conta. O produtor rural que está na ponta é a mesma pessoa que qualquer um de nós. Tem que puxar daqui, puxar dali, economiza daqui, economiza dali”, afirmou Campos.

A preocupação aumenta diante da perspectiva de um El Niño intenso. Segundo o secretário, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) acompanham o cenário climático.

“Os dois, um confirmando o outro, com a possibilidade de mais de 80% de ter um El Niño de forte para muito forte”, disse.

Campos citou como riscos um cenário de maior volume de chuvas no Sul, seca em áreas mais ao Norte do país e, principalmente, temperaturas mais elevadas.

“O aumento de temperatura é algo que preocupa, preocupa muito, porque pode dar margem aos incêndios que nós tivemos”, afirmou.

Segundo ele, o risco não se limita às propriedades agrícolas. “Não é só incêndio na área que está cultivada, é incêndio de floresta.”

Seguro rural é “absolutamente essencial”

Diante desse cenário, Campos defendeu a ampliação dos instrumentos de proteção ao produtor e classificou o seguro rural como “absolutamente essencial”.

O secretário alertou que a demora na disponibilização de recursos para o seguro pode elevar o custo da proteção justamente à medida que as previsões meteorológicas se tornam mais consolidadas.

“O prêmio vai subir”, acrescentou.

Além do seguro rural, o secretário considera necessária a renegociação das dívidas do setor e a criação de um fundo garantidor.

“Tem a renegociação das dívidas rurais, uma necessidade absoluta. Precisa constituir um fundo garantidor”, afirmou.

Campos disse que o governo vem trabalhando para viabilizar as medidas, mas que as decisões dependem da disponibilidade de recursos.

Para o secretário, as diferentes frentes precisam avançar simultaneamente. Embora os recursos do Plano Safra estejam disponíveis, a situação financeira acumulada pelos produtores continua sendo um entrave.

Questionado se este é um dos períodos mais difíceis enfrentados pelo produtor nos últimos anos, Campos afirmou que a deterioração não começou agora.

“Já vem desde o ano passado. Desde o ano passado já vem vindo com a situação bem crítica. E aí taxa de juros é o grande [problema]”, disse.