O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou nesta terça-feira (11) que a agência vai lançar uma ação extraordinária para atender 5.300 empresas brasileiras impactadas pelo aumento de tarifas no mercado norte-americano, com investimento de R$ 210 milhões ao longo dos próximos 12 meses.
A iniciativa, apresentada no WTC Events Center, tem como foco colocar as companhias frente a frente com compradores internacionais em mercados alternativos, por meio de feiras, rodadas de negócios e reuniões comerciais.
Segundo Müller, a estratégia será implementada em dois eixos. O primeiro prevê atendimento direto e individualizado às empresas pela própria ApexBrasil.
“A partir de amanhã as empresas brasileiras já podem se inscrever e a ApexBrasil vai atender diretamente, caso a caso”, disse, destacando que o objetivo é viabilizar encontros com compradores de outros destinos para reduzir a dependência do mercado americano.
O segundo eixo será executado em parceria com 29 entidades do setor privado, com as quais a agência vem estruturando um plano específico para setores afetados pelas tarifas.
Nesse modelo, as empresas serão atendidas por meio das ações organizadas com as entidades, também com foco em feiras e missões de negócios, além de rodadas no Brasil com a vinda de compradores estrangeiros.
Müller acrescentou que o programa incluirá apoio financeiro direto para que empresas possam se preparar para exportar a novos mercados, como na obtenção de certificações exigidas por determinados países.
A ApexBrasil trabalhará com 36 mercados considerados prioritários para a diversificação, em uma tentativa de gerar oportunidades reais de negócio e abrir novos caminhos para as empresas atingidas pelo tarifaço.
Apesar do foco na diversificação, o presidente da agência afirmou que a ApexBrasil não deixará de atuar nos Estados Unidos.
Segundo ele, o país segue como mercado relevante e a agência manterá ações de promoção comercial, inclusive com o escritório em Washington, para buscar ampliação de isenções tarifárias e para promover setores brasileiros que não foram atingidos.
Müller avaliou que a medida é inédita na agência e responde a um cenário “extraordinário” no comércio internacional, em contraste com a postura tradicional do Brasil e do setor privado de defender abertura e redução de tarifas.
Ele também disse que os impactos são heterogêneos entre empresas, regiões e setores, citando companhias que investiram por anos para acessar o mercado americano e que agora enfrentam dificuldades para redirecionar a produção, enquanto outras já avançaram na diversificação.
De acordo com ele, 72% das empresas acompanhadas pela ApexBrasil no último ano já diversificaram suas exportações.

