As exportações brasileiras de algodão somaram 155 mil toneladas em julho de 2026, uma alta de 21,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
A receita com os embarques alcançou US$ 262,4 milhões, avanço de 27,2% na comparação anual. O preço médio do algodão exportado ficou em US$ 1,70 por quilo FOB, crescimento de 4,5% sobre julho de 2025.
Para o presidente da Anea (Associação Nacional dos Exportadores de Algodão), Dawid Wajs, o resultado mostra um início positivo para o novo ciclo, apesar da menor disponibilidade de produto no começo da temporada.
“Encerramos o último ano-safra, de julho a junho, com um volume recorde de exportações. É natural que julho comece em um ritmo um pouco mais lento, porque os estoques de passagem não são tão representativos e há menos algodão disponível. Ainda assim, este foi o segundo melhor julho da nossa série”, afirmou.
A expectativa do setor é de aumento dos embarques nos próximos meses, com o avanço da colheita e do beneficiamento da safra 2025/26. Segundo Wajs, a colheita começou atrasada, mas passou a apresentar ritmo mais próximo das médias, o que deve ampliar a oferta disponível para exportação. “A tendência é vermos volumes mais expressivos a partir de setembro”, disse.
Bangladesh lidera compras
Bangladesh foi o principal destino do algodão brasileiro em julho, respondendo por 19,3% dos embarques. Na sequência apareceram Vietnã (17,7%), Turquia (17,3%) e Paquistão (14,5%).
Índia, Indonésia, Malásia e China também tiveram participação relevante, com 9,6%, 8,8%, 3,4% e 3,3%, respectivamente. Egito, Coreia do Sul, Colômbia e Tailândia completaram a lista dos principais mercados.
A participação da Índia ocorre em um momento de abertura temporária de uma janela de isenção tarifária para importações de algodão no país. A Anea, porém, avalia que o benefício deve ter impacto limitado para o produto brasileiro no curto prazo, principalmente em razão do tempo de trânsito até o mercado indiano e da menor disponibilidade de algodão no início da temporada.
Algodão é 4º produto agropecuário mais exportado
Em julho, o algodão respondeu por 0,77% das exportações brasileiras e ocupou a 22ª posição entre os produtos vendidos pelo país ao exterior.
Considerando apenas as exportações do setor agropecuário, a fibra representou 3,35% das vendas externas e ficou na quarta posição do ranking.
Com a expectativa de aumento da oferta da nova safra, o setor também se prepara para uma maior demanda sobre a infraestrutura logística. A Anea afirma que já houve articulações entre agentes do Porto de Salvador, exportadores e representantes dos setores público e privado para acompanhar o crescimento esperado dos embarques.
“Temos pela frente uma safra de bom volume e uma expectativa positiva para as exportações. Isso exige preparação de toda a cadeia logística”, afirmou Wajs.

