A 25a edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio na manhã desta segunda-feira (10), em São Paulo, reune governistas, oposição, líderes de entidades e executivos do setor.
Na cerimônia de abertura contou coom a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento, André de Paula, da senadora Teresa Cristina (PP MS) e do deputado federal e vice-presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Arnaldo Jardim.
O presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Ingo Pögler destacou o objetivo da entidade de, por meio do evento, representar uma “macro-unidade” para que se pense o presente e o futuro do país.
Ploger entregou a Alckmin docunmento fruto de uma pesquisa realizada pela Abag com seus membros associados acerca de demandas do agronegócio aos governantes e candidatos à presidência nas eleições deste ano. Ele reforçou que o agro não busca favores ou beneficios e sim investimento, desenvolvimento e segurança juridica,
Também a partir de sugestoes de seus membros, a Abag escolheu como tema desta edicao Agro & Indústria – Integrando e transformando o Brasil. Ao longo do dia, haver[a painéis e discussões que visam ampliar os pontos de contato, além de propor que práticas difundidas no setor industrial, como a produção just in time sejam adotadas pelo agro a fim de proporcionar um maior aproveitamento do potencial da agricultura tropical brasileira.
Governistas e oposicao reunidos
Representando o governador Tarcísio de Fretas (Republicanos) na solenidade, o secretário de agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho destacou a relevância do estado para o agro nacional, além de cumprimentar e agradecer a presenca de Alckmin e André de Paula, representantes do governo federal, pelo trabalho em conjunto em favor do setor.
A postura amistosa afastou o acirramento entre governo e oposição explicitado na noite deste domingo (9) no debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad (PT) promovido pela Band TV. Lá, as divergências foram exemplificadas através de trocas de acusações, inclusive, de falta de parceria entre os governos federal e estadual por motivações ideológicas. Já no congresso, poucas horas depois, as reverências mútuas reforçaram o tom ecumênico do evento e intenção de estabelecer um canal aberto de contato com aquele que assumirá o governo em janeiro de 2027, seja quem for o postulante.
Representado a Frente Parlamentar de Agricultura o Senador Arnaldo Jardim abriu a sua participação elogiando a presença e atuação do vice-presidente, Geraldo Alckmin e do Ministro da Agricultura, André de Paula.
Jardim lembrou que na edição do ano passado o tema central do Congresso foi a COP 30. E que o Brasil apresentou, durante o evento, que é possível produzir respeitando o meio ambiente.
E esse ano, com o desafio das tarifas, produtos importantes ficaram fora da taxação: como carnes, laranja e café. Arnaldo destacou o momento delicado no campo com preços baixos das commodities em contramão a alta dos custos de produção, incluindo fertilizantes.
Exigir dos candidatos uma posição clara de política para o agro.
A senadora Tereza Cristina seguiu a linha política dizendo que o próximo governo eleito deve se comprometer em criar um plano de longo prazo para o agro. Deu como exemplo o plano de expansão agropecuária da China com ações previstas até 2050. “Nós temos que exigir que o agronegócio no próximo governo, seja quem for eleito, que o agro seja priorizado como um negócio que vem dando certo e que é o motor da economia. Precisamos de políticas de Estado e não discutir políticas de governo porque elas são pontuais e nós precisamos de previsibilidade e de segurança jurídica. Onde é que vamos estar em 2050?”
Com o crescimento de 11,7% no PIB agropecuário em 2025 e a projeção de uma safra de 358 milhões de toneladas —, a parlamentar destacou que os números refletem apenas parte da realidade. O setor enfrenta o que classificou como uma “tempestade perfeita”, impulsionada por fatores externos e internos:
Os conflitos internacionais no Oriente Médio pressionaram o mercado de insumos. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, tornando crucial o avanço de iniciativas como o Plano Nacional de Fertilizantes (ProFert) para mitigar a dependência externa. Entre fevereiro e abril, insumos essenciais registraram altas expressivas: ureia (+60%), fosfato (+30%) e diesel (+35%), em um momento de preços de commodities inferiores aos patamares de anos anteriores.
Com a Selic a 14% e taxas finais de financiamento situadas entre 18% e 20%, o crédito rural sofreu retração de 17%. Do total de uma carteira de R$ 880 bilhões no crédito rural, estima-se que R$ 180 bilhões estejam em dívidas estressadas. Embora medidas provisórias recentes tenham trazido alívio parcial, a senadora apontou que grande parcela dos produtores ainda necessita de repactuação e que a criação de um modelo eficiente de seguro rural é inadiável para blindar a atividade contra novas quebras de safra.
Tereza criticou o retrocesso a demora em aprovar a lei dos safristas, que regulamenta a contratação de trabalhadores temporários durante as safras sem perdas dos benefícios sociais dizendo diretamente ao Ministro de André de Paula: “Nós temos um projeto aprovado na Câmara e no Senado que precisa ser sancionado. Foi sancionado com vetos a derrubar. O projeto dos safristas é fundamental para que nossa agricultura funcione. Não podemos contratar sem ter carteira assinada e o que fazer com essa mão de obra itinerante?”.
Entre as politicas de Estado a senadora destacou como ponto crítico e urgente o Seguro Rural, considerado ineficaz, atendendo menos de 3% da produção nacional. Dada a incerteza meteorológica (com a possível continuidade do fenômeno El Niño ou seus desdobramentos), a ausência de um seguro robusto deixa os produtores em situação de extrema vulnerabilidade diante de quebras de safra. A parlamentar cobrou enfaticamente o apoio do ministro da Agricultura e do vice-presidente da República para tratar o seguro como um pilar essencial da gestão de crises climáticas, e não como uma medida periférica.

