Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD, e Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente, trabalham para ampliar, estado por estado, os palanques da candidatura – com foco no Nordeste.
Entre os principais movimentos estão o apoio já declarado de ACM Neto (União Brasil) na Bahia, e a tentativa de aproximação com Ciro Gomes (PSDB), no Ceará.
A estratégia é uma resposta à ausência, até o momento, de uma aliança nacional capaz de reunir os principais partidos da chamada centro-direita em torno de uma única candidatura presidencial.
Durante almoço com empresários em São Paulo nesta segunda-feira (10), Caiado falou sobre a construção de alianças regionais e disse que a candidatura tem buscado formar palanques em todos os estados.
“Os partidos não se aliaram nacionalmente, não fizeram coligação, mas nós construímos palanques em todos os estados”, afirmou.
Segundo Caiado, a estratégia é negociar individualmente com os partidos e lideranças de cada estado. “Estou trabalhando estado por estado, para acoplar o maior número de partidos naquele estado, já que não há acordos nacionais”, disse.
O candidato citou MDB, União Brasil, PP e Republicanos como partidos que já estariam aliados à sua candidatura em diferentes estados. Segundo ele, a expectativa de Flávio Bolsonaro (PL) era contar com o apoio do chamado Centrão, mas essa composição nacional não se concretizou.
“Flávio esperava apoio do chamado Centrão, não deu. Qual abertura dada a mim? O MDB em alguns estados já está coligando comigo para presidência. Também União Brasil, PP e Republicanos estão juntos comigo em alguns estados”, afirmou.
No Nordeste, a Bahia é hoje o caso mais consolidado. ACM Neto, principal liderança do União Brasil no estado e candidato ao governo da Bahia, já declarou apoio a Caiado para a Presidência.
O ex-prefeito de Salvador, no entanto, defende que os partidos aliados tenham liberdade para fazer suas próprias escolhas na disputa presidencial.
No Ceará, o cenário é diferente. Caiado disse ter conversado duas ou três vezes com Ciro Gomes e indicou que trabalha para ampliar a aproximação.
Ciro, que é pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, colocou recentemente Caiado entre suas opções de voto para a Presidência, ao lado de Renan Santos, do Missão. A declaração foi interpretada como uma sinalização de abertura, mas Ciro não formalizou apoio a Caiado.
Após a declaração, o próprio Caiado afirmou que procuraria Ciro Gomes.
A aproximação é considerada estratégica para a candidatura do PSD porque o Ceará é um dos estados em que o grupo político de Ciro mantém forte presença, em uma região na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tradicionalmente apresenta desempenho eleitoral elevado.
Além da Bahia e do Ceará, Caiado citou nesta segunda-feira articulações em outras regiões do país.
Em Santa Catarina, mencionou o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do PSD, e o senador Esperidião Amin, do PP, como aliados. No Paraná, afirmou contar com o grupo político do governador Ratinho Junior. O governador lançou Sandro Alex, do PSD, para a disputa pelo governo estadual.
Em Minas Gerais, Caiado citou “Mateus”, em referência ao governador Mateus Simões, do PSD. O caso mineiro, porém, ilustra a complexidade da estratégia.
Caiado apoia Simões na disputa estadual, mas o governador mineiro mantém compromisso político com Romeu Zema, candidato à Presidência pelo Novo.
A própria situação mostra que os palanques estaduais mencionados por Caiado não significam necessariamente uma adesão uniforme à candidatura presidencial.
A estratégia é reunir apoios locais mesmo em cenários nos quais os partidos e lideranças têm posições diferentes na disputa nacional.
Em São Paulo, Caiado afirmou que vai contar com o apoio de centenas prefeitos do partido à sua candidatura. O PSD detém o maior número de prefeituras no estado e pretende incentivar o voto apelidado de “Carcísio” – em Caiado para presidente e Tarcísio de Freitas (Republicanos) para governador.
Ao resumir a estratégia, Caiado afirmou: “Estamos com palanque em todos os estados.”
A construção de alianças regionais é uma das principais apostas do PSD para tentar nacionalizar a candidatura de Caiado sem depender de uma coligação presidencial ampla.
A estratégia permite ao partido negociar apoios diferentes em cada estado, de acordo com as alianças locais e com a configuração da disputa pelos governos estaduais.

