A Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) entregou aos candidatos à Presidência da República uma “Agenda Estratégica da Agroindústria”, construída em conjunto com representantes do setor produtivo.
O documento reúne mais de 80 fatores considerados prioritários para o desenvolvimento de longo prazo do agronegócio brasileiro e foi apresentado durante a abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo.
A proposta, segundo a entidade, é estabelecer diretrizes que ultrapassem os ciclos de governo e ofereçam maior previsibilidade para investimentos no setor.
Para o presidente da Abag, Ingo Plöger, o país precisa de uma estratégia de longo prazo que integre agronegócio e indústria.
“Quando você tem um plano de cinco ou dez anos, você traça um rumo dentro do agro e da indústria em conjunto, para ver onde estão os grandes marcos da biocompetitividade brasileira. Isso é política de Estado. Nós não podemos ficar dependendo de planos de curto prazo, de planos de safra anuais que, apesar de essenciais, não substituem uma visão ampla de futuro”, afirmou.
Segundo Plöger, a agenda transforma demandas apresentadas pelo setor produtivo em propostas para os próximos governos.
“O que nós estamos apresentando aos candidatos à Presidência da República é uma Agenda Estratégica construída com o setor produtivo”, disse.
O presidente da Abag também defendeu a disseminação de práticas de gestão e empreendedorismo adotadas em regiões de alta eficiência produtiva para outras áreas do país.
“Precisamos transpor a capacidade de gestão e o empreendedorismo para todas as regiões do país”, afirmou.
Para viabilizar esse processo, Plöger apontou a necessidade de segurança jurídica, regulação eficiente, investimentos em ciência, tecnologia e infraestrutura e maior coordenação entre União, Estados e municípios.
“O Brasil tem tudo para exercer um protagonismo absoluto na transição energética e na bioeconomia global, desde que o Estado garanta as condições para que o empreendedorismo e a inovação gerem prosperidade compartilhada para a sociedade”, disse.
Juros e insegurança regulatória
Entre os principais entraves apontados pela Abag está o cenário de juros elevados, que afeta o acesso ao crédito, o seguro rural e as condições de financiamento do setor.
Plöger também citou a complexidade regulatória, a elevada carga tributária e a insegurança jurídica como fatores que dificultam a atração de investimentos. No cenário internacional, mencionou ainda o avanço do protecionismo, a fragmentação geopolítica e o aumento dos riscos climáticos.
Segundo o dirigente, a agenda não busca benefícios ou tratamento privilegiado para o agronegócio, mas condições que permitam ampliar investimentos, inovação e empreendedorismo.
Pilares estratégicos
As propostas apresentadas pela Abag estão organizadas em sete pilares estratégicos:
Ambiente Regulatório e Institucional: modernização das regras, maior segurança jurídica e eficiência administrativa, com redução da complexidade regulatória.
Ciência, Tecnologia e Inovação: fortalecimento da agricultura tropical e avanço da transformação tecnológica, além de uma governança estratégica de dados.
Insumos Estratégicos: ampliação da segurança e da estabilidade na oferta de insumos essenciais para a produção agropecuária.
Infraestrutura Física e Digital: modernização da logística multimodal, expansão da armazenagem e universalização da conectividade, com o objetivo de reduzir o chamado “custo Brasil”.
Seguro e Crédito Rural: criação de um marco plurianual de financiamento e de um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas para ampliar a proteção do produtor diante dos eventos extremos.
Legitimidade e Percepção Pública: fortalecimento da comunicação sobre o agronegócio, desenvolvimento de lideranças e ampliação da inclusão digital.
Protagonismo Internacional e Competitividade Global: fortalecimento da posição brasileira na segurança alimentar mundial, na bioeconomia e na transição energética.
Durante o congresso, três candidatos à Presidência da República enviaram vídeos com suas propostas para o agronegócio: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL).
Ao final do evento, os posicionamentos apresentados pelos candidatos foram analisados por especialistas em uma mesa-redonda coordenada pelo jornalista William Waack.

