O ator Rainer Cadete, 39, é conhecido pela atuação em novelas como “Êta Mundo Bom” (2016), “Verdades Secretas” (2015) e “Quem Ama Cuida” (2026). No entanto, ele também é lembrado como um pai coruja. Nas redes sociais, o ator já falou diversas vezes sobre a paternidade.
Por isso, neste Dia dos Pais, Rainer Cadete falou com a CNN Brasil e abriu o jogo sobre a relação de sinceridade e afeto que tem com o filho, Pietro Cadete, 19. Segundo o artista, falar abertamente com o jovem fez com que eles construíssem uma relação especial.
“Desde que o Pietro era pequeno, eu tinha um princípio muito claro: nunca mentir para ele. Dependendo da idade, algumas respostas podiam esperar ou ser dadas de uma forma que ele conseguisse compreender, mas eu nunca quis construir a nossa relação em cima da mentira. Acho que o mais importante não é falar sobre tudo o tempo todo, mas construir uma relação em que qualquer assunto possa ser conversado quando fizer sentido”, disse ele.
De acordo com Rainer, isso exige “respeito, escuta e confiança”. “Hoje ele é um jovem adulto, e fico feliz por saber que esse espaço de diálogo continua existindo entre nós”, completou ele.
Pai e filho têm 19 anos de diferença. Ao ser questionado sobre esse fator facilitar a relação, o ator revela que o diálogo não depende da idade.
“Talvez a diferença de idade tenha criado algumas identificações, mas nunca vi isso como o motivo da nossa proximidade. Acredito que teríamos construído essa relação de qualquer forma. O diálogo não nasce da idade, nasce do interesse genuíno pela vida do outro. É uma escolha que precisa ser cultivada ao longo do tempo”, disse ele.
Pietro Cadete também reforçou a importância deste diálogo aberto junto ao pai: “Às vezes até brinco que temos dificuldade de falar sobre coisas banais, porque sempre acabamos entrando em questões profundas. Convivendo com amigos da minha idade, percebo que muitos não têm esse tipo de troca com os próprios pais”, admitiu.
“Olhares que Filtram”
Rainer e Pietro escreveram um livro juntos. Lançada em 2024, a obra aborda um debate sobre a paternidade interracial. “O livro vem sendo adotado por escolas, temos participado de encontros com alunos e professores, e isso me mostrou que existe uma necessidade enorme de falar sobre paternidade, racismo, pertencimento e afeto. Se a nossa experiência ajuda outras famílias a iniciarem essas conversas, eu já me sinto realizado”, explicou Rainer.
Pietro, por sua vez, também reforçou a importância da experiência de construir tamanha vulnerabilidade junto ao pai. “A escrita criou um universo que é só nosso. Independentemente de tudo o que já vivemos juntos, sentar para transformar experiências em palavras e tentar traduzir sentimentos é algo muito raro e bonito”, disse o jovem.
“Escrever exige vulnerabilidade, escuta e confiança. Sou profundamente grato por ter atravessado esse processo ao lado da pessoa que mais admiro na minha vida: meu pai. Acho que, no fim, o livro fala de muitas coisas, mas também registra um encontro muito especial entre pai e filho”, completou.
Contracenando juntos
Pietro, que também é ator, tem trilhado um caminho promissor na atuação. Após protagonizar em “Marighella – O Homem Que Não Tinha Medo”, ele descreveu a experiência como transformadora. “Tive a oportunidade de mergulhar profundamente na construção do personagem e conhecer uma história política que passou a me inspirar muito”, disse.
Sobre a possibilidade de pai e filho atuarem juntos, eles responderam com empolgação. “Seria uma alegria enorme dividir uma cena com o Pietro. Na verdade, a gente já tem conversado sobre fazer um espetáculo teatral juntos em breve, e isso tem me deixado muito animado. Hoje eu admiro profundamente o artista que ele está se tornando”, revelou Rainer Cadete.
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