Os comentaristas da CNN José Eduardo Cardozo e a ex-senadora e jornalista Ana Amélia Lemos debateram, na sexta-feira (7), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre “qual caso pesará mais nas eleições 2026: Lulinha ou Dark Horse?”.
Integrantes do PT atribuem a queda de Lula (PT) nas pesquisas às investigações que envolvem Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente. Levantamento da Quaest aponta que a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno caiu 3 pontos percentuais.
Na avaliação de petistas, apesar dos desgastes enfrentados por Flávio Bolsonaro, incluindo a crise envolvendo a cinebiografia “Dark Horse” e o atrito com Michelle Bolsonaro, ele ainda é visto pelo eleitorado que rejeita fortemente o PT como o nome com mais chances de vencer Lula.
Para Cardozo, é preciso distinguir duas dimensões na análise: a fática e a eleitoral. “As pesquisas refletem o estado de espírito no momento em que elas são feitas”, afirmou. Segundo ele, a queda de Lula “está praticamente próxima da margem técnica de erro” e pode ser reflexo das denúncias envolvendo seu filho naquele período.
Cardozo também destacou uma diferença qualitativa entre os dois casos: “Um filho pode fazer algo sem a ciência de um pai. Um candidato não pode fazer algo sem a ciência de si próprio.”
Para ele, a situação de Flávio Bolsonaro seria mais grave, uma vez que há registros de áudio nos quais ele teria pedido dinheiro a Vorcaro, sem prestar contas posteriormente. “Esse dinheiro sumiu, o gato comeu e ninguém sabe para onde foi”, disse.
Ana Amélia Lemos concordou que os escândalos têm impacto momentâneo nas pesquisas, mas chamou atenção para a responsabilidade da imprensa nesse contexto.
Ela citou o caso do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, que, segundo ela, foi erroneamente associado a uma acusação de estupro de menor que, na verdade, envolvia um parente com o mesmo nome.
“A imprensa precisa ter uma cautela redobrada nessa hora para não tomar lado e nem partido em uma cobertura que vá enxovalhar a imagem de uma pessoa séria”, afirmou. Para Ana Amélia, esse rigor deve se aplicar igualmente a todos os candidatos, independentemente do espectro político.

