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Justiça mantém prisão de falso médico que atendia crianças com tumor no Rio

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Justiça mantém prisão de falso médico que atendia crianças com tumor no Rio

A Justiça do Rio de Janeiro converteu para preventiva, neste sábado (8), a prisão de Diogo dos Santos Serpa, investigado por se passar por médico e atender pacientes oncológicos infantis de alta complexidade.

Serpa foi preso em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, durante um atendimento domiciliar a uma criança de 10 anos diagnosticada com meduloblastoma grau IV, um tipo agressivo de tumor cerebral.

A decisão foi tomada durante audiência de custódia pela juíza Andressa Maria Ramos Ramundo. Segundo a magistrada, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e impedir a continuidade das condutas investigadas.

Prisão ocorreu durante atendimento

Serpa foi preso na tarde de quinta-feira (6), no bairro Jardim Pitoresco, em Nova Iguaçu, por agentes da 63ª Delegacia de Polícia (Japeri). Os policiais chegaram ao local no momento em que o suspeito encerrava um atendimento na modalidade home care.

A investigação aponta que ele atendia a criança desde outubro de 2025. Ao menos seis visitas à residência da paciente foram identificadas.

Durante os atendimentos, o investigado teria prescrito medicamentos, solicitado exames e emitido encaminhamentos clínicos utilizando a identidade de profissionais de saúde habilitados.

A fraude teria sido descoberta depois que a mãe da paciente identificou inconsistências técnicas e contradições em receitas apresentadas pelo suposto médico.

Ao consultar o cadastro do CRM (Conselho Regional de Medicina), a família constatou que a fotografia vinculada ao registro profissional utilizado não correspondia ao homem que realizava os atendimentos.

Suspeito teria usado identidade de médicos

Durante a abordagem, os policiais chamaram Serpa pelo nome do médico verdadeiro cujo registro profissional estaria sendo utilizado por ele. De acordo com a investigação, o suspeito respondeu ao chamado e assumiu a identidade do profissional diante dos policiais.

Na operação, foram apreendidos carimbos, blocos de receituários de controle especial em nome do médico cuja identidade teria sido usurpada, receitas já carimbadas em nome de outro profissional de saúde e blocos de papel timbrado de instituições da área.

Para a Polícia Civil, o material apreendido reforça a suspeita de que a prática não teria sido um episódio isolado.

O indiciamento aponta cinco tipos penais, exercício ilegal da medicina com finalidade de lucro, uso de documento particular falso, falsa identidade, estelionato na forma tentada e perigo para a vida ou saúde de outrem.

Segundo o relatório policial encaminhado à Justiça, os crimes teriam sido praticados em concurso material.

Justiça aponta risco à coletividade

Ao determinar a prisão preventiva, a juíza considerou que a conduta atribuída ao investigado ultrapassa a gravidade dos crimes e representa risco à coletividade, especialmente em razão dos atendimentos realizados a pacientes vulneráveis.

Na decisão, a magistrada afirmou que a utilização reiterada de identidades e documentos médicos de terceiros, associada à realização de consultas e à prescrição de medicamentos sem habilitação profissional, demonstra maior censurabilidade da conduta e risco à vida de pacientes.

A juíza também destacou a possibilidade de continuidade dos crimes. Segundo ela, os elementos reunidos até o momento indicam habitualidade, já que o investigado teria realizado atendimentos durante meses utilizando a identidade de profissionais habilitados.

Outras investigações

Diogo dos Santos Serpa também é investigado em outros quatro procedimentos criminais, relacionados a suspeitas de falsidade ideológica, dois furtos em farmácia e peculato.

Segundo os registros processuais mencionados na investigação, não há, até o momento, condenações transitadas em julgado contra ele.

A Polícia Civil continua as diligências para verificar se Serpa possui formação acadêmica na área da saúde e identificar possíveis outras vítimas dos atendimentos realizados de forma irregular.

*Sob supervisão de Thiago Félix