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Senado dos EUA aprova indicado de Trump para embaixada no Brasil

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Senado dos EUA aprova indicado de Trump para embaixada no Brasil

O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira (7), a indicação do político republicano Daniel Perez para ser embaixador do país no Brasil.

No entanto, o deputado estadual da Flórida ainda depende do aval do governo Lula para que possa assumir o cargo diplomático em Brasília.

Conforme antecipado pela CNN Brasil, a indicação do potencial novo embaixador americano no Brasil foi votada em um bloco com outras nomeações do governo Trump.

A lista é composta por 74 indicações, incluindo cargos da diplomacia americana no Departamento de Estado e em 17 embaixadas, como Brasil, Noruega, Austrália, Jamaica, Eslováquia, Camboja e Gâmbia, por exemplo.

O bloco foi aprovado por 51 votos a favor e 47 contrários.

A votação deveria ter acontecido na quinta-feira (6), mas foi atrasada por conta de um impasse no Senado americano sobre quais pautas serão votadas antes dos senadores deixarem Washington para um recesso de cinco semanas.

Na quinta-feira, o senador democrata e líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, criticou a análise em bloco das nomeações.

“Os republicanos do Senado estão empurrando goela abaixo um pacote de indicações que colocará um apanhado de charlatões e soldados de infantaria do MAGA nas mais altas posições de poder”, disse Schumer.

The Senate GOP is ramming through a nominations package that’ll put a grab-bag of MAGA charlatans into the highest positions of power

They know these nominations are absurd, so they’re trying to force them in with one vote—it’s embarrassing

Americans deserve more from the…

— Chuck Schumer (@SenSchumer) August 6, 2026

“Os republicanos no Senado sabem o quão absurdos são alguns desses indicados. É por isso que estão tentando aprová-los de uma só vez, em uma única votação. Eles não aguentariam a luz do sol. Não aguentariam os holofotes. Não aguentariam o escrutínio que um processo de indicação individual teria feito contra eles”, acrescentou.

“Todos esses indicados terão cargos diferentes, mas compartilham a mesma qualificação: lealdade absoluta a Donald Trump, não importa quão absurdas sejam suas políticas. O povo americano espera mais do seu governo do que apenas lealdade cega a Donald Trump”, concluiu.

Já o senador republicano e líder da maioria no Senado, John Thune, defendeu a medida. Em discurso no plenário no início da semana, ele afirmou: “Até o final da semana, teremos aprovado 95% dos indicados civis elegíveis para votação no plenário.”

Líder da maioria republicana no Senado dos EUA, senador John Thune, caminha no Senado dos Estados Unidos • 01/07/2025 REUTERS/Nathan Howard

“Nesta mesma época, durante o primeiro mandato do presidente Trump, havia 155 indicados não confirmados na pauta. É o melhor índice de confirmações em um quarto de século. Temos nos empenhado para garantir que o presidente tenha seus indicados em seus devidos lugares para que ele possa desempenhar a função para a qual o povo americano o elegeu”, concluiu Thune.

Daniel Perez foi sabatinado no dia 16 de julho e teve o nome aprovado pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado americano no dia 22 do mesmo mês.

Durante a sabatina, ele destacou que os Estados Unidos enfrentam “desafios de segurança reais” no Brasil. Ele citou organizações criminosas transnacionais que ameaçam comunidades americanas e a “crescente presença de potências externas competindo por influência na região”, sem nomear a China.

Indicado de Trump depende de aval do governo Lula

Mesmo aprovado pelo Senado americano, o deputado estadual da Flórida depende do aval do governo Lula antes de assumir o cargo em Brasília.

Daniel Perez, palestrante designado da Flórida, discursa para os participantes durante a Florida’s Future Conference no Centro Estudantil Shalala da Universidade de Miami, em 28 de setembro de 2023, em Coral Gables, Flórida. • Jose A. Iglesias/Miami Herald/Tribune News Service via Getty Images

O Brasil ainda não concedeu o documento no qual afirma que avaliou e aceita formalmente o nome indicado pelos EUA para a embaixada – o chamado “agrément”.

“A partir daqui, não há como seguir com a indicação porque falta justamente a concessão do agrément”, explicou à CNN Brasil o professor da Temple University, Lucas de Souza Martins.

Ele acrescenta que, além do agrément, ainda restariam algumas formalidades previstas na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, como notificar o Itamaraty da chegada do embaixador ao Brasil e a entrega das cartas credenciais.

Na terça-feira (4), o governo Trump anunciou que revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, agravando a tensão diplomática entre os países.

Uma autoridade do Departamento de Estado americano argumentou que a revogação é uma “ação recíproca” ao que descreveu como a demora do Brasil em conceder o agrément para Daniel Perez.

Os EUA prometem restabelecer o visto da embaixadora brasileira imediatamente caso o aval seja concedido ao indicado de Trump.

O Palácio do Planalto reagiu à revogação afirmando que “o processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência”.

“O governo dos Estados Unidos anunciou publicamente o nome de seu candidato antes de apresentar o pedido formal de agrément ao governo brasileiro. O Brasil segue estritamente o direito internacional. Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément. O pedido norte-americano ainda se encontra em análise”, completou o governo brasileiro.

Quem é Daniel Perez, nomeado de Trump para ser embaixador no Brasil?

O potencial novo embaixador americano em Brasília é atualmente um deputado republicano no estado da Flórida e ocupa a cadeira de presidente da Câmara de Representantes estadual.

Segundo seu site oficial, ele nasceu em Nova York, mas se mudou com a família ainda na infância para a Flórida, na cidade de Westchester.

O site também destaca que Perez é filho de cubanos e, por isso, “aprendeu desde cedo a importância do trabalho árduo, do otimismo, do serviço público e da liderança”.

“Perez é um homem de família dedicado. Ele é casado com Stephanie Ann Perez e juntos são os orgulhosos pais de Camila Lucia, Matías Daniel e Paulina Andrea”, acrescenta a biografia.

Ele estudou na Florida State University e na Faculdade de Direito da Loyola University New Orleans e foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017.

A campanha para o cargo, segundo sua equipe, foi focada em “responsabilidade, impostos mais baixos, menos intervenção governamental e proteção de nossas comunidades”.

O governador da Flórida, Ron DeSantis (à direita), discursa sobre o Estado da Flórida enquanto o presidente da Câmara dos Representantes da Flórida, Daniel Perez (republicano de Miami, ao centro), ouve durante o primeiro dia da sessão legislativa no Capitólio Estadual da Flórida, em 4 de março de 2025, em Tallahassee, Flórida.
O governador da Flórida, Ron DeSantis (à direita), discursa sobre o Estado da Flórida enquanto o presidente da Câmara dos Representantes da Flórida, Daniel Perez (republicano de Miami, ao centro), ouve durante o primeiro dia da sessão legislativa no Capitólio Estadual da Flórida, em 4 de março de 2025, em Tallahassee, Flórida. • Matias J. Ocner/Miami Herald/Tribune News Service via Getty Images

“Como presidente da Câmara, ele busca abordar questões críticas relacionadas à saúde, infraestrutura, moradia acessível e seguro imobiliário, mantendo-se fiel à sua missão de ser a voz de seus eleitores em Tallahassee”, afirma seu site oficial.

Nomeado para embaixador travou embate com rival de Trump

Desde o ano passado, Perez também se destacou em reportagens do noticiário político americano por um embate com o governador da Flórida, Ron DeSantis – republicano que rivalizou com Trump na disputa pela candidatura do partido nas eleições de 2024 e perdeu.

Uma reportagem na edição de verão de 2025 da revista Governing escreveu: “Governadores que concorrem sem sucesso à presidência muitas vezes acabam menos populares em seus estados. Esse foi o caso de Ron DeSantis na Flórida. Depois de dominar a política estadual por anos, DeSantis agora enfrenta um antagonista surpreendente: o também republicano presidente da Câmara, Daniel Perez.”

“Os dois já discutiram sobre tudo, desde o ensino superior e a exploração de petróleo em alto-mar até o financiamento de serviços de apoio legislativo e normas de segurança para condomínios”, acrescentou a revista.

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o governador da Flórida, Ron DeSantis, em comícios eleitorais • Gaelen Morse e Marco Bello/Reuters (07.nov.22)

No início de 2025, destaca a reportagem, os dois entraram em conflito por causa da imigração e uma investigação sobre uma organização sem fins lucrativos ligada à esposa do governador.

“Perez, um cubano-americano de 38 anos de Miami, não recuou nem por um minuto, acusando publicamente DeSantis de mentir, de ser emotivo e de ter ataques de raiva.

“Ameaçar os outros para conseguir o que quer não é liderança, é imaturidade”, disse Perez no plenário da Câmara, segundo a Governing.

O indicado de Trump para a embaixada no Brasil chegou a ser descrito como “o primeiro opositor real que DeSantis enfrenta desde que assumiu o governo em 2019”.

O embate também foi pauta do jornal The New York Times, que escreveu em julho do ano passado: “A relação entre DeSantis e Perez tornou-se tão rancorosa que, em certo momento, DeSantis se referiu aos deputados como “traiçoeiros”. Perez rebateu dizendo que o governador “emocional” estava fazendo “birras”.”

No final do ano passado, ele chegou a ser cotado para concorrer – com apoio do governo Trump – ao cargo de procurador-geral da Flórida contra um aliado do governador, mas a candidatura não se concretizou e ele seguiu como presidente da Câmara.

Em abril deste ano, conforme reportou o site Politico, Perez voltou a confrontar DeSantis ao obstruir dois projetos de lei do governo, que tratavam de isenções de obrigatoriedade de vacinas e regulamentação da inteligência artificial.

Em maio, durante um evento na cidade de Madison, DeSantis fez novas críticas a Perez. Segundo o jornal local Florida Phoenix, o governador “fez um discurso inflamado por quase 10 minutos para expressar raiva e frustração com o republicano de Miami, alegando que ele [Perez] tem uma agenda pessoal”.

Filho de cubanos: Quem é o nomeado de Trump para ser embaixador no Brasil

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