A busca de novos mercados para o pescado brasileiro ganhou ainda mais importância após a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo, a medida reforça a necessidade de diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência do mercado norte-americano.
De acordo com o ministro, atualmente cerca de 50% das exportações brasileiras de pescado têm como destino os Estados Unidos, cenário que expõe o setor a riscos comerciais. “Essa taxação nos mostra que a gente precisa ampliar cada vez mais novos mercados”, afirmou.
Araújo destacou que, desde 2023, o Brasil abriu mais de 19 novos mercados para produtos da pesca e da aquicultura. Agora, o governo concentra esforços na abertura de mercados considerados estratégicos, como a União Europeia e o Reino Unido. Segundo ele, uma missão técnica da União Europeia esteve no Brasil no mês passado para avançar nas negociações.
Entre os produtos atingidos estão o filé de tilápia congelado, outros filés congelados de peixes, outras carnes de peixes frescas, refrigeradas ou congeladas, lagostas vivas, frescas ou refrigeradas, além de algas para alimentação humana, outras algas e farinhas, pós e pellets de peixe impróprios para consumo humano.
Também serão taxados outros peixes enquadrados na NCM 0302.59.00, que inclui espécies das famílias Bregmacerotidae e Gadidae.
Ainda de acordo com o ministério, os produtos isentos corresponderam a 89,2% do valor exportado aos Estados Unidos em 2025 e a 93,6% do valor exportado em 2026 (até junho), abarcando itens de maior relevância na pauta setorial, como tilápias, atuns, espadarte e lagostas congeladas.
Alguns produtos da cadeia pesqueira brasileira ficaram de fora da medida anunciada pelo governo norte-americano, no âmbito da investigação da Seção 301.
Entre os itens isentos estão albacora-laje, albacora-bandolim, cavalinhas, espadarte, tilápia fresca, tilápia inteira congelada, filé de tilápia fresco, lagosta congelada e outros peixes congelados classificados como corvina, pescadas, pargo, peixe-sapo, garoupas, tainhas e cherne-poveiro.
Consumo interno
Além da estratégia voltada ao comércio exterior, o ministro defendeu o fortalecimento do mercado interno por meio do aumento do consumo de pescado pelos brasileiros. Atualmente, o consumo médio nacional é de cerca de 12 quilos por habitante ao ano, abaixo da média mundial, de aproximadamente 20 quilos.
Segundo Araújo, o cenário é ainda mais desafiador nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, onde o consumo gira em torno de 5 quilos por habitante ao ano. Para ele, é preciso incentivar o consumo durante todo o ano e não apenas em períodos tradicionais, como a Semana Santa e o Natal.
O ministro afirmou que uma das principais medidas para tornar o pescado mais acessível foi a aprovação da isonomia tributária para a ração utilizada na aquicultura. A expectativa do governo é de uma redução de até 6% nos custos de produção, com reflexos nos preços pagos pelo consumidor.
“O objetivo é que essa redução não fique apenas com o produtor, mas também seja percebida pela população”, disse.
Araújo acrescentou que o governo também trabalha para fortalecer toda a cadeia da pesca e da aquicultura, desde os pescadores até as empresas exportadoras. Segundo ele, o aumento da renda disponível das famílias também pode estimular o consumo de proteínas de maior qualidade.
“O pescado é um alimento altamente nutritivo, de baixo impacto ambiental e que precisa fazer parte da alimentação dos brasileiros com mais frequência”, afirmou.

