O presidente americano, Donald Trump, entrou em conflito com Pete Hegseth, responsável pelo Pentágono, após o jornal The Washington Post revelar que o presidente americano o questionou sobre o baixo estoque de munições do Exército dos Estados Unidos. A informação foi amplamente repercutida pela imprensa internacional, incluindo a CNN e a agência Reuters. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna comenta o tema ao CNN Prime Time.
De acordo com apuração da CNN junto a seis fontes ligadas à equipe de defesa e segurança de Trump, o presidente ficou “extremamente irritado” com os vazamentos dessas informações.
Segundo Lourival Sant’Anna, Trump considera que a divulgação dos dados o coloca em situação de fragilidade nas negociações com o Irã.
Ameaças e recuos nas negociações com o Irã
A principal ferramenta de pressão de Trump nas tratativas com Teerã tem sido a ameaça militar. No fim de semana anterior à reportagem, o presidente americano afirmou que o Irã sofreria “o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial”.
Contudo, recuou da declaração antes da reabertura dos mercados financeiros, em um movimento que Sant’Anna descreveu como uma tentativa de “acalmar os ânimos”.
Trump ainda ameaçou impor “penas de prisão muito longas” aos responsáveis pelos vazamentos, oriundos do Pentágono.
Para Sant’Anna, a reação do presidente acabou funcionando como uma confirmação indireta da veracidade das informações. “Com isso ele acaba mostrando que é verdade”, avaliou o analista.
Estoques críticos de mísseis americanos
Segundo as informações apuradas, quase todos os mísseis de ataque de precisão do Exército Americano — os chamados ATACMS e seus sucessores, os PRSM — foram consumidos.
De acordo com Sant’Anna, esses armamentos seriam reservados para conflitos estratégicos, como um eventual confronto com a China.
Trump e outros funcionários americanos reconheceram o problema, mas afirmaram que novos mísseis estão sendo fabricados, com aumento da capacidade produtiva da empresa Lockheed Martin.
Além dos mísseis de ataque, os mísseis de defesa, como os Patriot, da Raytheon, também se encontram em estado bastante degradado.
“Os Estados Unidos estão numa situação de bastante risco por causa do engajamento nessa guerra”, afirmou Lourival Sant’Anna.

