O Ministério da Saúde recomendou a ampliação da vacinação contra o sarampo nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo para todas as pessoas na faixa etária de 6 meses a 59 anos de idade.
A medida temporária foi integrada à Campanha de Multivacinação de agosto de 2026 e definida após a identificação de casos confirmados da doença, os quais indicam uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus nessas cidades.
Entre as principais estratégias de contenção está a aplicação da chamada “dose zero” em crianças de 6 a 11 meses.
Casos confirmados e o risco de transmissão
Até o final de julho de 2026, o Brasil confirmou 17 casos de sarampo no território nacional. Desses registros, 14 permanecem em acompanhamento ativo no estado de São Paulo, distribuídos entre a capital paulista (11 casos), São Bernardo do Campo (dois casos) e Guarulhos (um caso).
As investigações epidemiológicas apontam que os casos ocorreram em uma região de intensa mobilidade de pessoas e elevado fluxo de viajantes internacionais, condições que propiciam a introdução esporádica do vírus no país.
Em 2025, o Brasil registrou 38 casos importados ou relacionados à importação, cuja transmissão local foi interrompida pelas ações de vigilância e bloqueio vacinal.
Como funciona a “dose zero” contra o sarampo
A “dose zero” consiste em uma dose adicional da vacina tríplice viral aplicada de forma antecipada em bebês de 6 a 11 meses de idade. Essa estratégia é recomendada especificamente para regiões com evidência de circulação ativa do vírus para ampliar a proteção desse grupo, considerado mais vulnerável a infecções e ao desenvolvimento de complicações graves da doença.
O Ministério da Saúde esclarece que a “dose zero” não substitui o calendário convencional de vacinação. As crianças que receberem essa dose antecipada ainda devem tomar normalmente a primeira dose (D1) aos 12 meses e a segunda dose (D2) aos 15 meses de idade.
Ampliação da campanha e cobertura vacinal
A recomendação de vacinação indiscriminada ocorre para o período de 3 de agosto a 1º de setembro de 2026 nos três municípios paulistas afetados. Para dar suporte à ação, a pasta intensificou o abastecimento de vacinas no país.
Em 2025, a cobertura vacinal nacional contra o sarampo atingiu 92,9% para a primeira dose e 78,3% para a segunda dose. Nos municípios prioritários da recomendação, os índices de primeira dose variam entre 90,79% e 91,59%, enquanto a segunda dose apresenta coberturas entre 83,62% e 83,90%.
A vacina tríplice viral é disponibilizada de forma gratuita pelo SUS e pode ser encontrada em todas as Unidades Básicas de Saúde e postos de vacinação. A atualização constante da caderneta de vacinação permanece descrita pelas autoridades de saúde como o principal mecanismo para evitar a reintrodução endêmica do sarampo no Brasil.

