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St George quer separar terras raras em três produtos no Brasil

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
St George quer separar terras raras em três produtos no Brasil

A St George Mining estuda separar as terras raras do Projeto Araxá, em Minas Gerais, em três produtos distintos ainda no Brasil, como parte de uma estratégia para agregar valor ao material antes da comercialização.

Em entrevista ao Mapa da Mina, programa de mineração da CNN, o diretor operacional da companhia no Brasil, Thiago Amaral, afirmou que os estudos avaliam uma corrente composta principalmente por elementos leves, como lantânio e cério, outra concentrada em neodímio e praseodímio e uma terceira formada por samário e elementos mais pesados.

“Estamos chegando aos carbonatos e oxalatos mistos do nosso material. Queremos fazer pelo menos uma separação inicial no Brasil para agregar valor. O que temos estudado e identificado como possível é uma primeira separação de lantânio e cério, uma segunda de neodímio e praseodímio e outra corrente com samário e elementos mais pesados. Esse é o estudo que estamos fazendo”, disse Amaral.

O neodímio e o praseodímio estão entre os elementos de maior interesse comercial por serem utilizados na fabricação de ímãs permanentes, empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos. Já o lantânio e o cério são mais abundantes, enquanto os elementos mais pesados costumam ter menor disponibilidade e aplicações especializadas.

A rota industrial ainda está em estudo.

Atualização dos recursos

O executivo afirmou ainda que a St George deverá divulgar, nas próximas semanas, uma nova estimativa de recursos minerais do Projeto Araxá.

Segundo ele, a atualização deverá ampliar de forma “relevante” o tamanho do depósito e aumentar o grau de confiança geológica sobre os recursos já identificados.

A expectativa é elevar a parcela enquadrada nas categorias medida e indicada, que possuem maior nível de conhecimento geológico do que os recursos inferidos e são importantes para o avanço dos estudos de viabilidade econômica.

A nova estimativa incorporará os resultados das campanhas recentes de perfuração realizadas pela empresa no projeto.

Investimentos chineses

Amaral também afirmou que a St George está aberta à entrada de investidores chineses no Projeto Araxá, apesar da disputa entre países ocidentais e a China pelo controle das cadeias de minerais críticos.

Segundo o executivo, a empresa mantém conversas com potenciais investidores e compradores de diferentes países e não pretende restringir previamente a origem do capital destinado ao empreendimento.

A companhia negocia possíveis contratos de compra futura da produção — conhecidos como acordos de offtake — tanto para o nióbio quanto para as terras raras.

Esses contratos podem ajudar a financiar a construção do projeto ao garantir antecipadamente compradores para parte da produção.

Piso de preço

O diretor afirmou que a adoção de um piso de preço para as terras raras já aparece nas negociações com potenciais compradores e seria “desejável” para a empresa.

O mecanismo estabeleceria um valor mínimo para a comercialização dos produtos, reduzindo o risco de quedas acentuadas nas cotações internacionais durante o período de implantação e operação do projeto.

“Essas conversas sobre piso de preço têm acontecido. É algo desejável”, afirmou Amaral.

A criação de mecanismos de proteção de preços tem sido discutida por governos e empresas como uma forma de viabilizar projetos de terras raras fora da China, que concentra grande parte da capacidade mundial de processamento e separação desses elementos.

Segundo Amaral, no entanto, a estrutura dos contratos e a eventual adoção de garantias de preço ainda estão em negociação e não há acordos definitivos anunciados pela companhia.

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