A Sol, empresa de tecnologia para o agronegócio do Grupo RZK, prepara uma nova etapa de expansão após investir quase R$ 200 milhões nos últimos anos em projetos de conectividade e inteligência artificial voltados ao campo.
Segundo o CEO da companhia, Rodrigo Oliveira, o objetivo dos investimentos da companhia é acelerar a conectividade em áreas rurais, ampliar a digitalização e integração de dados provenientes da atividade agrícola no Brasil.
“Os investimentos diretos na nossa atividade já chegam perto dos R$ 200 milhões, desde o começo da empresa, levando infraestrutura e tecnologia para dentro das porteiras do Brasil”, disse à CNN Brasil.
A estratégia inicial da empresa concentrou recursos na expansão da conectividade rural, considerada pelo executivo o principal gargalo para a transformação digital no campo. Hoje, a Sol contabiliza mais de 400 torres instaladas em fazendas, cobertura de mais de 10 milhões de hectares e atendimento a cerca de 50 mil propriedades rurais.
A empresa ainda projeta ampliar entre 30% e 40% a infraestrutura instalada em até 18 meses, além de lançar um projeto-piloto para integrar dados de propriedades rurais em um mesmo território.
Com a infraestrutura consolidada, a Sol entrou em uma nova fase de expansão e passou a direcionar os investimentos para inteligência artificial e integração de dados. “A tecnologia já estava disponível, as máquinas já geravam dados, mas esses dados não se conversavam”, disse Oliveira.
Segundo o executivo, parcerias como a firmada com a Amazon Web Services permitiu o desenvolvimento de soluções capazes de transformar grandes volumes de informações em inteligência aplicada ao produtor rural.
Combinação entre conectividade e serviços
Depois de priorizar a expansão da infraestrutura, a companhia mudou seu modelo de crescimento. Agora, os projetos unem a instalação da conectividade à oferta de serviços digitais, buscando garantir retorno econômico para produtores e para a própria empresa.
“Levar a conectividade sem levar junto o uso acaba dificultando muito o desenvolvimento econômico. Hoje fazemos projetos orientados a ganhar eficiência por meio da conectividade”, destacou.
Mesmo com o avanço dos últimos anos, Oliveira avalia que o potencial de crescimento ainda é elevado, uma vez que a expansão da área agrícola acompanha o aumento da cobertura digital.
“A medida que a conectividade cresce, a área plantada também cresce. Então, o desafio cresce junto”, afirmou.
Projeto inovador integra propriedades
Além da expansão da infraestrutura, a Sol iniciará, ainda nesta safra, um projeto-piloto envolvendo entre sete e dez propriedades rurais conectadas em uma mesma região. O objetivo é criar “territórios digitais”, reunindo dados de diferentes fazendas para gerar informações que possam ser utilizadas não apenas pelos produtores, mas também por bancos, seguradoras, empresas de insumos e operadores logísticos.
Segundo Oliveira, o mercado já reconhece que dados agrícolas podem melhorar o acesso ao crédito, reduzir custos com seguros e tornar a logística mais eficiente. O desafio, porém, deixou de ser apenas coletar informações.
Dados como infraestrutura crítica
Para o executivo, a próxima etapa da transformação digital do agronegócio passa pela gestão integrada das informações produzidas nas fazendas. Oliveira afirma que a tecnologia agrícola deixou de ser experimental e precisa ser tratada como infraestrutura crítica para o setor.
Para isso, a empresa aposta agora em construir uma base de dados segura, integrada e resiliente, capaz de sustentar novos modelos de negócios em toda a cadeia do agronegócio.

