O dia 6 de agosto marca no calendário paulista uma celebração dedicada a um dos gêneros que ajudaram a transformar a cultura brasileira: o rap nacional. A data foi instituída em 2008 por meio de uma lei aprovada pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).
Apesar de esta quinta-feira (6) ser conhecida em todo o país como o Dia do Rap Nacional, a origem da comemoração é estadual. A Lei nº 13.201, de 10 de setembro de 2008, estabeleceu oficialmente que o gênero seria celebrado anualmente em 6 de agosto e incluiu a data no Calendário Oficial do Estado de São Paulo.
Quem criou o Dia do Rap Nacional?
A criação do Dia do Rap Nacional teve origem no Projeto de Lei nº 282/2006, apresentado pelo então deputado estadual Geraldo Vinholi. A proposta foi aprovada pela Alesp e transformada na Lei nº 13.201, sancionada em setembro de 2008.
A primeira comemoração oficial ocorreu em 2009. Na ocasião, a Alesp destacou que a criação da data buscava reconhecer e fortalecer a cultura hip-hop e as manifestações artísticas relacionadas ao rap.
Na justificativa do projeto, Vinholi destacou o rap como uma forma de disseminação de ideias e conscientização, além de ressaltar seu potencial para criar oportunidades para crianças e jovens. O texto também relacionava o gênero ao cotidiano das periferias e ao seu papel como forma de expressão da sociedade brasileira.
Embora a lei estabeleça o dia 6 de agosto como a data oficial da celebração, o projeto não explica por que esse dia específico foi escolhido. Não há, no texto, menção a um acontecimento histórico relacionado ao rap que justifique a escolha da data.
São Paulo, ritmo e poesia
A história do rap brasileiro passa pelas ruas de São Paulo. Influenciados pela cultura hip-hop que vinha dos Estados Unidos, artistas como Nelson Triunfo, Thaíde e DJ Hum ajudaram a transformar a região central da capital paulista em ponto de encontro para jovens da periferia, que descobriram no novo movimento uma forma de expressão.
O Largo São Bento, na região central, tornou-se um dos espaços importantes para a consolidação do hip-hop na cidade durante os anos 1980. Ali, música, dança e outras manifestações da cultura de rua se encontravam e ajudavam a formar uma cena que posteriormente se espalharia por diferentes regiões do país.
Como outras manifestações culturais de origem negra, o rap também enfrentou preconceito e marginalização. No Brasil, o gênero ganhou características próprias ao incorporar às rimas temas relacionados à desigualdade social, racismo, violência, cotidiano das periferias e às experiências da população negra.
A partir dos anos 1990, grupos como Racionais MC’s, Facção Central e RZO ampliaram o alcance do rap nacional e ajudaram a consolidar o gênero como uma das principais vozes da periferia. O que começou como uma manifestação cultural fortemente associada às ruas passou, ao longo das décadas, a ocupar rádios, grandes palcos, plataformas digitais e diferentes espaços da indústria cultural.
Rap segue entre os gêneros mais ouvidos no Brasil
Mais de uma década após a criação do Dia do Rap Nacional, o gênero segue presente entre os artistas e músicas mais ouvidos no país. O ranking Hot 100 Brasil da Billboard reúne dezenas de faixas ligadas ao rap nacional, mostrando a permanência de nomes de diferentes gerações nas paradas.
Entre os destaques estão “Beatriz”, de 2ZDinizz, Leborato & HHR, na 56ª posição; “Deixe-Me Ir”, do 1Kilo, na 119ª; e “P.I.T.T.Y.”, de NandaTsunami, Stick, Bvga Beatz & Torelli, na 168ª. BK’ aparece em diferentes posições, com “Cacos De Vidro” (#202), “Músicas de amor nunca mais” (#208), “Planos” (#314), “Deusa” (#436) e “Amanhecer” (#552).
O ranking também reúne sucessos de artistas consagrados do gênero. Racionais MC’s aparecem com “Vida Loka, Part. 1” (#250), “Jesus Chorou” (#350), “Negro Drama” (#563) e “Vida Loka, Pt. 2” (#592). Orochi figura com “Amor de Fim de Noite” (#401), “Fashion” (#523), “Mitsubishi” (#551) e “Champagne” (#618), enquanto outros nomes como Xamã, Djonga, L7NNON e Flora Matos também aparecem na lista.
Confira os destaques do rap no Hot 100 Brasil:
- #56 — 2ZDinizz, Leborato & HHR: “Beatriz”
- #119 — 1Kilo: “Deixe-Me Ir”
- #168 — NandaTsunami, Stick, Bvga Beatz & Torelli: “P.I.T.T.Y.”
- #202 — BK’: “Cacos De Vidro”
- #208 — BK’, Luccas Carlos, Nansy Silvvz: “Músicas de amor nunca mais”
- #236 — Hungria: “Amor e Fé”
- #242 — 2ZDinizz: “Te Encontrar na Lapa”
- #250 — Racionais MC’s: “Vida Loka, Part. 1”
- #314 — BK’: “Planos”
- #350 — Racionais MC’s: “Jesus Chorou”
- #401 — Orochi: “Amor de Fim de Noite”
- #423 — Xamã: “Luxúria”
- #436 — BK’, 2ZDinizz, Anchietx: “Deusa”
- #448 — Edi Rock: “That’s My Way”
- #505 — Djonga: “SOLTO”
- #515 — Coolio: “Gangsta’s Paradise”
- #523 — Orochi: “Fashion”
- #551 — Orochi: “Mitsubishi”
- #552 — BK’, Nansy Silvvz, Gigantes: “Amanhecer”
- #555 — L7NNON: “Perdição”
- #563 — Racionais MC’s: “Negro Drama”
- #592 — Racionais MC’s: “Vida Loka, Pt. 2”
- #593 — Flora Matos: “TEIA”
- #607 — Oruam, Chefin, Salvador Da Rima, Real Fuba: “Gangstar”
- #618 — Orochi: “Champagne”
