O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (6), uma operação contra um bingo clandestino na Tijuca, na zona Norte da capital fluminense, apontado como parte da estrutura financeira da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”.
A ação tem como objetivo reunir novas provas, aprofundar as investigações e identificar outros integrantes da organização criminosa, segundo o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
A medida foi autorizada pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, que expediu mandado de busca e apreensão para o estabelecimento.
O cumprimento ocorreu com atuação da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), em conjunto com o Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), por meio da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), além do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), da Polícia Civil, e do Núcleo de Apoio às Operações Especiais (NAOE), do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar.
De acordo com o Ministério Público, a investigação teve início a partir da análise do conteúdo de aparelhos celulares apreendidos durante a Operação Fissão, deflagrada em outubro de 2024.
As mensagens extraídas dos dispositivos, segundo os investigadores, revelaram a atuação integrada de Rogério Costa de Andrade e Silva, Vinicius Pereira Drumond e Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontados como as principais lideranças da organização criminosa responsável por controlar parte da exploração do jogo do bicho e de outras modalidades ilegais de apostas no estado.
A partir do avanço das diligências, relatórios de inteligência passaram a indicar a existência de uma rede estruturada de bingos clandestinos vinculada ao grupo.
Em uma etapa anterior da investigação, realizada em um imóvel na rua Maxwell, em Vila Isabel, os agentes apreenderam 48 máquinas caça-níqueis, além de equipamentos utilizados na exploração ilegal de jogos de azar. Novos levantamentos identificaram o bingo alvo da operação desta quinta-feira como mais um ponto ligado à estrutura financeira da organização.
Segundo o GAECO, os bingos clandestinos são tratados como uma importante fonte de arrecadação para a organização criminosa. Além da exploração ilegal de jogos de azar, a estrutura investigada é suspeita de movimentar recursos destinados à manutenção das atividades do grupo e à expansão dos negócios ilícitos.
“Nova cúpula do bicho”: quem são os investigados
Os três nomes apontados pelo Ministério Público representam diferentes núcleos familiares tradicionais da contravenção fluminense e passaram a ser identificados pelas autoridades como integrantes da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”, formada após sucessivas disputas pelo controle de territórios e pontos de exploração de jogos ilegais.
Rogério Costa de Andrade e Silva é um dos nomes mais conhecidos da contravenção no Rio de Janeiro, segundo autoridades. Sobrinho do histórico bicheiro Castor de Andrade, ele assumiu o controle dos negócios da família após disputas internas ocorridas no fim da década de 1990. Atualmente, está preso no Presídio Federal de Campo Grande (MS) e responde, entre outros processos, pela acusação de homicídio qualificado do contraventor Fernando Iggnácio, morto em 2020.
Outro investigado é Vinicius Pereira Drumond, filho de Luizinho Drumond, ex-patrono da escola de samba Imperatriz Leopoldinense e um dos principais nomes da antiga geração do jogo do bicho. Conforme a Polícia Civil, Vinicius é investigado por suposta participação em crimes como exploração da contravenção, agiotagem, lavagem de dinheiro e corrupção. Em julho de 2025, ele sobreviveu a um atentado na Barra da Tijuca, quando o veículo em que estava foi atingido por cerca de 30 disparos de arma de fogo. Posteriormente, o Ministério Público denunciou cinco pessoas por participação na tentativa de homicídio, apontando que o crime teria relação com disputas envolvendo a contravenção.
Já Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, é apontado pelas forças de segurança como uma das figuras mais influentes do crime organizado fluminense. Além de integrar a cúpula do jogo do bicho, ele é investigado por liderar um esquema bilionário de fabricação e distribuição de cigarros falsificados. Segundo a Polícia Federal, o grupo sob seu comando teria movimentado ao menos R$ 5 bilhões entre 2015 e 2024. Adilsinho também responde a investigações por homicídios ligados à disputa pelo controle do comércio ilegal de cigarros e, conforme o Ministério Público, é acusado de ordenar execuções relacionadas aos conflitos entre grupos criminosos rivais.
As investigações sobre a nova cúpula do jogo do bicho seguem em andamento. Segundo o MPRJ, a operação desta quinta-feira busca reunir novas provas, aprofundar a apuração e identificar outros integrantes do grupo. Os três configuram como investigados e têm direito à presunção de inocência.
A CNN Brasil busca contato com as defesas de Rogério de Andrade, Vinicius Drumond e Adilson Coutinho. O espaço segue aberto.

