Um excesso de oferta no mercado de frango do Brasil deverá pressionar as margens das produtoras JBS e BRF no segundo semestre de 2026, afirmou o JPMorgan em nota divulgada nesta quarta-feira (05).
O banco relatou que, após conversar com mais de 10 pequenos e médios produtores e exportadores de aves, todos esperam uma queda na lucratividade durante o período, principalmente devido ao fato de a oferta de carne de frango permanecer excessiva, à fraqueza da demanda do consumidor no Brasil e à queda nos preços da carne bovina e suína.
Segundo o JPMorgan, o Brasil continua produzindo mais frango do que o mercado necessita, com os produtores alojando 2,3% a mais de pintinhos este ano em comparação ao mesmo período do ano anterior, e o abate de frangos registrando alta de 2,5%.
Alguns produtores estão enviando aves mais leves ao mercado, o que pode ser um sinal precoce de que a oferta está começando a se ajustar.
No entanto, o banco destacou que nenhum dos produtores planeja cortar a quantidade de pintinhos alojados, uma vez que muitos continuam em uma posição financeira sólida graças aos lucros consistentes do ano passado.
O banco acrescentou que a demanda doméstica permanece fraca, com os consumidores sob pressão financeira, enquanto os preços mais baixos da carne bovina e suína também estão pesando sobre a demanda por frango.
O JPMorgan apontou que as margens de exportação continuam saudáveis, sustentadas pela demanda firme no Oriente Médio, no México e em outros mercados da América Latina, além da continuidade da demanda chinesa por pés de frango.
Ainda assim, o banco ressaltou que as margens internacionais devem enfraquecer em relação aos patamares atuais devido a uma moeda mais forte, tensões geopolíticas, custos de frete mais elevados, embarques mais fracos de carne de coxa desossada para o Japão e incertezas em torno de uma potencial proibição europeia após setembro.
Alguns produtores indicaram ao JPMorgan que a lucratividade poderá atingir o fundo do poço no terceiro trimestre, com as margens se recuperando gradualmente até o final do ano, caso a oferta comece a se ajustar.
(Reportagem de Kylie Madry; Edição de Kate Mayberry)
