O governo brasileiro avalia que as movimentações do argentino Javier Milei e do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, fazem parte de uma ação coordenada da direita internacional voltada a interferir nas eleições presidenciais brasileiras de 2026.
Segundo as fontes consultadas pela analista de Política Isabel Mega, tanto Milei quanto Rubio possuem interesses eleitorais próprios que os motivam a atacar o cenário político brasileiro. “O que une as duas figuras? Uma busca por ativos eleitorais“, afirmou Mega durante o Live CNN desta quinta-feira (6).
Na visão das fontes do governo brasileiro, Milei dispara ataques contra Lula com objetivos que vão além de simplesmente dar apoio a Flávio Bolsonaro (PL), que é o principal adversário no cenário eleitoral brasileiro. A estratégia também teria um olhar voltado para a Argentina, onde haverá eleições no ano seguinte.
“Eventualmente, se Flávio Bolsonaro é o vencedor, isso o ajuda também. Se Lula é o vencedor, a avaliação de fontes do governo é de que isso daria motivação para a esquerda argentina. E isso seria ruim para o cenário eleitoral que Javier Milei pode enfrentar nas eleições do ano que vem”, afirmou Mega.
A crise entre Brasil e Argentina se agravou após a visita de Milei ao país, quando ele discursou na convenção do PL e fez declarações que o governo brasileiro classificou como ofensivas. Milei vem retirando as palavras desde então, tanto em entrevistas quanto em posts nas redes sociais.
Como consequência, o governo brasileiro decidiu não reenviar o embaixador Júlio Bitelli a Buenos Aires, rebaixar o nível das relações diplomáticas e deixar apenas um encarregado de negócios no posto.
O papel de Marco Rubio
Quanto a Marco Rubio, a avaliação mais generalista da diplomacia brasileira, com ressalvas para divergências internas, é de que ele também estaria de olho em seu próprio futuro político nos Estados Unidos.
“Ele [Rubio] procura alinhar a América Latina ao seu discurso e usa a situação do Brasil, as eleições brasileiras, para isso. É como se o Brasil pudesse ser usado de exemplo em uma avaliação macro de influência americana sobre a América Latina”, explicou Mega.
Assim, na visão das fontes brasileiras ouvidas pela analista, tanto Milei quanto Rubio se beneficiariam eleitoralmente ao explorar o contexto político do Brasil, cada um a seu modo e com seus próprios interesses.

