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Como a inteligência de dados virou aliada dos clubes brasileiros

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Como a inteligência de dados virou aliada dos clubes brasileiros

Um estudo inédito da FutebolCard, plataforma especializada em gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor, mostra que a inteligência de dados está ajudando diretamente os clubes brasileiros a aumentar monetização.

A análise identificou alguns padrões relevantes neste processo, entre eles, que a forma de pagamento impacta diretamente na evasão dos torcedores, e que de 30% e 80% das bases analisadas possuem algum grau de inatividade.

No caso da forma de pagamento, um dos itens mais importantes do estudo aponta que a escolha do método de pagamento define o tempo de vida do torcedor no programa.

“Os programas de sócio estão entrando na lógica de assinatura contínua, semelhante ao mercado de streaming, SaaS (Software as a Service) e serviços digitais”, revela Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard.

A estabilidade financeira dos clubes nacionais caminha lado a lado com a duração dos contratos. De acordo com os dados da FutebolCard, planos mensais sofrem com a inconstância do desempenho do time em campo, registrando um índice de cancelamento entre 55% e 70%.

Por outro lado, os planos anuais ou vitalícios estabilizam a base de clientes. O movimento do mercado agora foca em incentivar o upgrade dos torcedores para compromissos de longo prazo, garantindo um fluxo de caixa previsível independentemente do resultado da última rodada.

As bases inativas aparecem como um verdadeiro ponto de vulnerabilidade, já que entre 30% e 80% desses cadastros analisados contêm ex-sócios, pré-cadastros abandonados e perfis bloqueados por inadimplência que poderiam ser recuperados.

Experiência nos estádios

Apesar de parecer óbvio, a experiência que é feita com ativações dentro das arenas continua impactando na retenção da base de sócios. O estudo comprova que torcedores que frequentam regularmente o estádio registram uma retenção até três vezes superior em comparação aos torcedores puramente digitais. Isso obriga os clubes a integrarem urgentemente seus sistemas de CRM, venda de ingressos e benefícios de vantagens para otimizar a experiência nos dias de jogo.

Um dos pontos mais importantes trazidos no estudo leva o nome de “superfãs”. Eles nada mais são do que torcedores bastante engajados e com alto potencial de aquisição orgânica, assim como influencers digitais, embaixadores (oficiais ou não) e até mesmo ex-atletas, que utilizam seus canais para atrair novos membros de maneira espontânea.

Segundo ele, o futebol brasileiro ainda monetiza muito pouco suas torcidas.

“Embora os clubes nacionais arrastem multidões e ostentem bases de torcedores que figuram entre as maiores do mundo, a capacidade de reverter essa paixão em receita financeira ainda caminha a passos lentos”, afirma.

Atualmente, o principal desafio não é mais apenas atrair novos torcedores, mas sim aplicar a monetização progressiva na base já existente. Diante disso, os clubes mais estruturados começaram a se movimentar para desenhar jornadas de consumo mais longas e planos de sócio-torcedor de categoria premium.

“A expectativa é que o mercado passe por uma forte transformação nos próximos anos. Os programas de fidelidade tradicionais devem evoluir para ecossistemas sofisticados de negócios. Essa mudança será impulsionada pela criação de novos níveis de associação (tiers), benefícios exclusivos, plataformas de assinatura e estratégias focadas no ciclo de vida do cliente. No novo cenário do futebol, ganha o jogo quem souber tratar o torcedor não apenas como fã, mas como um consumidor de alto valor”, complementa o sócio-fundador da Futebol Card.

“Nesse novo ecossistema, dados precisos tornaram-se o ativo mais valioso para aproximar o clube de sua torcida e assegurar sua saúde financeira”, define Robson Carlo.

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