O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano. Para Adauto Lima, economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, a decisão veio em linha com o esperado, e a comunicação desta rodada foi mais clara do que a anterior, que havia gerado ruídos no mercado.
Em entrevista, Lima avaliou que o Copom demonstrou estar comprometido com o atingimento da meta de inflação. Segundo ele, tanto o comunicado quanto a postura do comitê indicam que a instituição acredita que boa parte dos choques inflacionários deve se dissipar no horizonte relevante, já no primeiro trimestre de 2028.
Na avaliação de Lima, a reunião anterior do Copom foi marcada por problemas de comunicação, especialmente no comunicado oficial. “A ata, de alguma forma, corrigiu o que ficou muito nebuloso ou ficou conflitante no comunicado”, afirmou.
Ele destacou que a projeção de inflação em 3,2% — contra a meta de 3% — não representa necessariamente um desvio preocupante, desde que esse número não siga subindo de uma reunião para outra. “O 3,2 sugere que você está buscando a meta no horizonte relevante”, disse.
Condições para novo corte em setembro
Lima apontou que a próxima decisão do Copom ficou deliberadamente em aberto, condicionada à evolução dos dados econômicos. Para que um novo corte de 0,25 ponto percentual ocorra, levando a Selic a 13,75%, seria necessário que a atividade econômica continue demonstrando moderação, conforme observado nas leituras de maio e junho.
“Se a atividade continuar mostrando os dados de moderação que a gente viu nas últimas leituras, o Banco Central pode fazer esse movimento adicional”, afirmou.
Por outro lado, o economista alertou que fatores externos podem complicar o cenário. Uma aceleração da inflação do petróleo, uma depreciação mais intensa do real ou uma atividade doméstica que não desacelere conforme o esperado seriam elementos capazes de levar o Copom a fazer uma pausa no ciclo de cortes.
“Se esses riscos aumentarem, aí ele fala: vamos fazer uma pausa aqui no 14”, explicou Lima.
Apesar de considerar que o Copom deveria ter interrompido os cortes nos 14% para tentar reancorаr as expectativas de inflação de longo prazo, Lima disse acreditar que a moderação da economia no trimestre atual deve pesar a favor de uma redução adicional.
“Eu acredito que isso vai pesar para o Banco Central cortar mais uma e dar os 13,75”, concluiu, projetando um novo corte na reunião de setembro.

