O Banco Mercantil registrou lucro líquido de R$ 275 milhões no segundo trimestre deste ano, resultado que representa uma alta de 13% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho marca o 15º recorde trimestral consecutivo da instituição, conforme balanço divulgado pela companhia.
As receitas de prestação de serviços da companhia totalizaram R$ 363 milhões, registrando alta de 76% em 12 meses. O retorno sobre o patrimônio líquido em 12 meses alcançou 41,4%.
Em seu relatório, o banco afirma que os resultados do segundo trimestre demonstram que a instituição segue crescendo com consistência e rentabilidade, ainda que o cenário tenha exigido adaptações no setor.
Cenário macroeconômico e desafios do crédito
Paulino Rodrigues, CFO Banco Mercantil, destacou que o país atravessa um momento sensível do ciclo de crédito. “O endividamento das famílias e das empresas do Brasil, se nós pegarmos a série do Banco Central, que começou em 2011, está na máxima histórica, atingindo 7,6% no dado de junho”, afirmou.
Segundo ele, em nenhum período anterior — incluindo a pandemia e os anos de 2015 e 2016 — o endividamento havia chegado a esse patamar, o que exige cautela redobrada na atividade creditícia para que o crescimento se dê de forma sustentável.
Rodrigues também citou a manutenção da taxa Selic em patamares elevados como um fator de atenção. Ele projetou que o ciclo mais desfavorável do crédito deve se estender pelo menos até 2027, mas sinalizou que o banco pretende continuar crescendo e entregando retornos consistentes aos acionistas ao longo desse período.
“A economia tem ciclos, os setores também têm seus ciclos, e nós temos que ter a inteligência de nos adaptar”, declarou.
Consignado privado: oportunidade e cautela
O consignado privado, produto que opera nesse formato há aproximadamente um ano, foi apontado como um segmento promissor, mas também desafiador.
Rodrigues informou que a inadimplência do produto atingiu o patamar histórico de 8,6%, superando a média geral de mercado de 7,6% e se aproximando dos níveis observados no crédito pessoal sem garantias, que está em torno de 10,6%.
Diante disso, o banco optou por reduzir o ritmo de concessões nessa linha durante o primeiro e o segundo trimestres deste ano.
Apesar dos desafios, Rodrigues se mostrou otimista com o potencial do produto. “Enxergamos como boa parte do mercado que é uma linha que pode chegar perfeitamente a um saldo de R$ 300 a R$ 350 bilhões para o mercado como um todo”, afirmou, acrescentando que a carteira atual está em torno de R$ 110 bilhões.
O executivo pontuou que, para esse crescimento se materializar, serão necessárias correções operacionais, adaptações nos processos executados pela Dataprev e pela Caixa Econômica Federal, além do aperfeiçoamento da regulação.
O banco possui atualmente R$ 3 bilhões em carteira de consignado privado, dentro de uma carteira total de crédito de R$ 25 bilhões.
Estratégia de crescimento e fidelização de clientes
O Banco Mercantil superou a marca de 10,2 milhões de clientes, com foco no público com mais de 50 anos, especialmente aposentados e pensionistas do INSS. Rodrigues explicou que a estratégia de crescimento passa pela combinação entre expansão da base de clientes, oferta de crédito consignado e fidelização por meio de outros produtos, como seguros e assistências.
“O crédito sozinho, no nível de spread que nós temos hoje no Brasil, não entrega de maneira nenhuma os níveis de retorno que o Mercantil tem conseguido entregar”, ressaltou.
Segundo Rodrigues, mais de 90% da receita de prestação de serviços da instituição é proveniente de seguros e assistências, produtos que têm crescido em importância à medida que as receitas com tarifas bancárias diminuem, seja por força de regulação, seja por pressão competitiva.
A jornada do cliente, conforme descrita pelo executivo, começa com o recebimento de benefícios previdenciários, avança para o crédito consignado e se consolida com a adoção de outros produtos financeiros. “Essa é a receita para um crescimento sustentável do banco”, concluiu.

