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Vereador investigado por elo com PCC no transporte de SP deixa a prisão

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Vereador investigado por elo com PCC no transporte de SP deixa a prisão

O vereador Senival Moura (PT), de 61 anos, investigado por suposto envolvimento com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em um esquema de lavagem de dinheiro no transporte público da capital paulista, foi solto após mais de um mês preso. Ele estava detido desde 26 de junho, quando foi alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

A informação foi divulgada pelo próprio parlamentar em um vídeo publicado nesta quarta-feira (5) nas redes sociais. Nas imagens, Senival aparece discursando no plenário da Câmara Municipal de São Paulo e diz que é inocente.

“Reitero aqui a minha inocência em tudo aquilo que foi divulgado pelos meios de comunicação e a injustiça que está sendo cometida contra este vereador”, afirmou.

Durante o pronunciamento, o vereador disse ter sido “jogado aos leões” sem ter cometido crimes e alegou que não teve a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos durante a investigação.

“Fui humilhado e exacrado. Se eu tivesse cometido qualquer espécie de crime, assumiria. Agora, ser acusado por algo que não cometi e pela injustiça que foi imputada a mim, isso é inadmissível”, declarou.

O parlamentar foi alvo da “Operação Última Parada”, do MPSP (Ministério Público de São Paulo), que visava desarticular o esquema. Além dele, integrantes da facção e o presidente da empresa de transporte coletivo Transunião também tiveram mandados de prisão expedidos.

Senival era filiado ao PT, mas pediu afastamento após ser preso. 

A CNN Brasil entrou em contato com o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) que informou que não pode se manifestar, pois o caso segue sobre sigilo.

A reportagem também tenta contato com a defesa do vereador e com a Prefeitura de São Paulo. 

Investigações

A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020.

Segundo o Ministério Público, as apurações reuniram indícios de que a concessionária teria sido utilizada pela facção criminosa para lavar dinheiro.

A empresa teria recebido mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte paulistano apenas em 2025.

Como parte da operação, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa, além da apreensão de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

O Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião e notificou a Prefeitura de São Paulo para que adote as medidas administrativas e contratuais cabíveis, incluindo a possibilidade de intervenção na empresa.

Núcleo paralelo e suspeita de lavagem de dinheiro

Segundo as investigações, existiria um núcleo paralelo responsável por tomar decisões dentro da Transunião, incluindo a transferência de recursos para integrantes do PCC. De acordo com os investigadores, até mesmo mudanças societárias na empresa teriam sido determinadas pela organização criminosa.

As apurações apontam que o capital social da companhia saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem que a origem dos recursos tivesse sido esclarecida.

Os investigadores também identificaram conexões entre o esquema investigado na Operação Última Parada e outras ações policiais, como as operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Esta última foi conduzida pela Polícia Federal para apurar um esquema de tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a máfia italiana ‘Ndrangheta’.

Histórico de investigações no transporte público

Em 2024, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Fim da Linha, que desarticulou organizações criminosas suspeitas de lavar dinheiro do PCC por meio das empresas de ônibus UPBus e Transwolff.

As duas concessionárias eram responsáveis pelo transporte de cerca de 700 mil passageiros por dia na capital paulista e receberam, juntas, mais de R$ 800 milhões da Prefeitura de São Paulo em 2023, segundo as investigações

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