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SP: Justiça marca novo júri de PM e ex-PM acusados de matar adolescente

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
SP: Justiça marca novo júri de PM e ex-PM acusados de matar adolescente

A Justiça de São Paulo marcou para a próxima terça-feira (11) um novo júri do policial militar Adriano Fernandes de Campos e do ex-policial militar Gilberto Eric Rodrigues, acusados de matar o adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, na zona Sul da capital, em junho de 2020.

Anteriomente, apenas Adriano Fernandes de Campos havia sido julgado. Em 2021, o policial militar foi absolvido pelo Tribunal do Júri após o Conselho de Sentença entender a negativa da autoria do crime.

Já o ex-policial militar Gilberto Eric Rodrigues estava foragido na época dos fatos, o que levou à suspensão do processo em relação a ele. Após ser localizado e preso, a ação penal foi retomada.

O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) anulou a decisão do Conselho de Sentença que absolveu Adriano e determinou a realização de um novo julgamento dos dois réus. A sessão foi marcada para às 9h do dia 11 de agosto, no Plenário 6 da 1ª Vara do Júri da Capital.

Anulação da absolvição e novo júri

De acordo com o processo penal, ao qual a CNN Brasil teve acesso, a absolvição foi anulada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo após a corte dar provimento ao recurso apresentado pelo Ministério Público.

Um novo júri já tinha sido marcado para agosto de 2024, mas foi sucessivamente adiado, segundo a Justiça, a pedido da defesa de Gilberto Eric Rodrigues. A decisão da 1ª Vara do Júri da Capital aponta que esta é a quarta redesignação do julgamento motivada por pedidos da defesa do ex-PM.

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Na decisão, a magistrada afirmou que a repetição dos adiamentos “denota possível falta de planejamento e zelo, revelando, ainda, grave descompromisso com a dignidade da função advocatícia e afronta direta à boa ordem processual”.

Na mesma decisão, a magistrada determinou o envio de ofício à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo) para apuração de eventual infração disciplinar do advogado responsável pela defesa de Gilberto.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa do PM Gilberto. O espaço segue aberto.

Já a defesa do réu Adriano, composta pelos advogados Renato Soares e Mauro Ribas, afirmou que discorda da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que anulou a absolvição do Conselho de Sentença em 2021.

Leia na íntegra:

“Os Advogados Renato Soares e Mauro Ribas que atuam na defesa de Adriano Fernandes de Campos respeitam, mas discordam da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que anulou o veredicto do Conselho de Sentença, o qual havia absolvido o acusado.

A defesa entende que esse tipo de decisão fragiliza a soberania dos veredictos, princípio constitucional que norteia o Tribunal do Júri, além de enfraquecer o espaço democrático conferido à sociedade para julgar os crimes dolosos contra a vida.

No mérito, a defesa reafirma sua plena confiança na sociedade paulista e está convicta de que, em um novo julgamento, as provas demonstrarão, de forma clara e inequívoca, que Adriano Fernandes de Campos não praticou o crime que lhe é imputado”.

Relembre o caso

Na madrugada do dia 14 de junho de 2020, o adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, foi sequestrado na rua Rolando Curti, na Vila Clara, zona Sul de São Paulo. Posteriormente, a investigação apontou que ele foi morto a tiros na Travessa da Saúde, na avenida Alda, em Diadema.

Segundo a investigação, alguns jovens teriam invadido um canteiro de obras da empresa Globalsan Saneamento e Construções Ltda localizada na aua Álvares Fagundes, próximo ao local onde o jovem foi sequestrado.

De acordo com o Ministério Público, o réu Adriano, responsável por uma empresa de segurança contratada para cuidar no local, e Gilberto, então foragido do Presídio Militar Romão Gomes, renderam o adolescente sob ameaça de armas de fogo, o colocaram em um veículo e o levaram até a Travessa da Saúde, onde ele foi morto a tiros.

A promotoria sustenta que o homicídio foi praticado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

A denúncia aponta que os acusados pretendiam retaliar os responsáveis pela invasão ao canteiro de obras e escolheram Guilherme, que morava na região, para servir de exemplo aos moradores da comunidade.

O documento, obtido pela CNN Brasil, ainda indica que Adriano e Gilberto teriam atuado como milícia privada, “agindo a pretexto de prestação de serviço de segurança, com intuito de impor, por medo e terror, o domínio daquela comunidade”.

Caso gerou revolta

Moradores protestaram na região onde o crime ocorreu, na noite de 15 de junho de 2020, após a morte de Guilherme Silva Guedes, jovem de 15 anos morador do bairro. Ele havia desaparecido na noite anterior e foi encontrado morto posteriormente.

A família acusou policiais militares de serem responsáveis pela morte do garoto. As manifestações começaram na rua Rolando Curti, onde mora a família de Guilherme.

Ainda na mesma região, na avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, ônibus foram incendiados. Viaturas de quatro batalhões e o Choque precisaram ser mobilizados ao local, além de sete equipes do Corpo de Bombeiros para conter os focos de incêndio.

Protestos na região de Americanópolis
Protestos na região de Americanópolis, periferia da zona sul de São Paulo, pela morte de Guilherme Silva Guedes (15.jun.2020) • Foto: Carolina Figueiredo

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*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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