A produção recorde de cevada no Paraná impulsionou uma onda de investimentos na indústria de bebidas e fortaleceu a cadeia cervejeira no estado. Desde 2020, empresas do setor destinaram cerca de R$ 5 bilhões para ampliar operações e instalar novas unidades, movimento que contribuiu para um crescimento de 47% no emprego formal da indústria de bebidas entre 2018 e 2025, segundo dados do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social).
O avanço da indústria acompanha a expansão da produção agrícola. Em 2025, o Paraná colheu cerca de 493 mil toneladas de cevada, um recorde histórico e volume 71,6% superior ao registrado no ano anterior.
O estado respondeu por quase 78% da produção nacional do cereal, consolidando sua posição como principal fornecedor da matéria-prima para a indústria de cervejas e outras bebidas.
O crescimento da cultura foi impulsionado pela ampliação da área plantada, pelo aumento da produtividade e por condições climáticas mais favoráveis. Desde 2018, a produção de cevada no estado avançou 35%, enquanto o Paraná passou a concentrar mais da metade da área cultivada do país e aproximadamente 75% do valor da produção nacional.
A expansão da oferta de cevada coincidiu com a instalação e ampliação de grandes projetos industriais. Entre eles está a Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa, construída por seis cooperativas paranaenses para reduzir a dependência de malte importado. A unidade é considerada a maior planta de produção de malte da América Latina.
Outro investimento relevante veio da Heineken. A fábrica da companhia em Ponta Grossa, inaugurada em 2016, passou por uma expansão iniciada em 2020, com apoio do programa Paraná Competitiva, mais que dobrando sua capacidade de produção.
Já a Ambev reforçou sua presença nos Campos Gerais com a inauguração, em dezembro de 2025, de uma fábrica de garrafas de vidro em Carambeí. O empreendimento recebeu R$ 1 bilhão em investimentos, gerou 4.225 empregos durante a construção e mantém cerca de 400 postos de trabalho diretos.
Em junho deste ano, a companhia anunciou mais R$ 70 milhões para a instalação de uma nova fábrica de embalagens no estado.
Os investimentos ajudaram a impulsionar o mercado de trabalho. O emprego formal na indústria de bebidas do Paraná cresceu 47% entre 2018 e 2025, mais que o dobro da média nacional, de 20%.
Dentro do setor, a fabricação de cervejas registrou alta de 57,8% nas contratações, atrás apenas da produção de vinhos (68,1%) e à frente do segmento de refrigerantes (43,7%).
Com esse desempenho, o Paraná ampliou sua participação no total de empregos da indústria de bebidas brasileira, passando de 4,4% para 5,4% no período.
Segundo o Anuário da Cerveja, do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), o estado reúne atualmente 175 cervejarias registradas, consolidando-se como um dos principais polos cervejeiros do país, com produção estimada em 7,8 milhões de litros por ano.
“O crescimento da indústria de bebidas é um exemplo dos resultados da política de desenvolvimento industrial do Paraná e do aumento da produção no campo. Os investimentos realizados nos últimos anos, tanto na ampliação quanto na instalação de novas unidades produtivas, refletem as condições logísticas, a disponibilidade de matérias-primas, a qualidade da mão de obra paranaense e o apoio do Governo do Estado”, afirmou o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado.
Além da produção agrícola, o estado reúne uma cadeia integrada que engloba o cultivo de cevada, a fabricação de malte, cervejarias e indústrias fornecedoras de embalagens e outros insumos, fator que tem fortalecido a competitividade do setor e atraído novos investimentos.
Como o agronegócio enfrenta o risco climático que muda a cada safra

