A abertura do mercado paraguaio para a importação de suínos vivos destinados ao abate pode representar uma nova alternativa para a suinocultura brasileira. No fim de julho, o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) anunciou que o Paraguai aprovou o modelo de CSI (Certificado Sanitário Internacional), documento que autoriza as exportações brasileiras e amplia as oportunidades comerciais para o setor.
Na avaliação de representantes da cadeia produtiva, a medida cria uma nova opção de destino para os animais produzidos no Brasil, ajudando a reduzir a oferta destinada ao mercado interno e dando maior sustentação ao crescimento da atividade.
Segundo o presidente da ACCS (Associação Catarinense de Criadores de Suínos), Losivânio Luiz de Lorenzi, a abertura do mercado está diretamente ligada ao momento vivido pela indústria paraguaia. De acordo com ele, o país vizinho vem ampliando os investimentos na suinocultura, mas ainda possui capacidade ociosa nos frigoríficos, o que aumenta a necessidade de importar matéria-prima para abastecer as plantas de processamento.
“Como eles estão investindo na atividade e as indústrias operam com ociosidade, surgiu a necessidade de buscar animais fora do país. Para o Brasil, isso representa uma oportunidade importante de ampliar o mercado“, afirma.
Losivânio destaca que a exportação de suínos vivos também pode trazer reflexos positivos para o mercado brasileiro. Segundo ele, parte dos animais que iria abastecer exclusivamente o mercado doméstico passa a ter um novo destino comercial, contribuindo para reduzir a oferta interna e incentivando os produtores a manterem ou ampliarem os investimentos na atividade.
Apesar da abertura para animais destinados ao abate, o Paraguai já vinha importando material genético brasileiro para fortalecer seu rebanho. A diretora sócia da DASAGRO, Esther Storch, explica que, até o momento, as informações oficiais indicam apenas a entrada de matrizes reprodutoras.
Segundo ela, o primeiro embarque foi composto por 115 fêmeas, que passaram por um período de quarentena antes de serem distribuídas para centros de reprodução e granjas do país.
Ainda segundo Storch, o consumo de carne suína no país tem apresentado crescimento ao longo da última década e atualmente gira em torno de 11 kg por habitante ao ano. Embora o avanço seja consistente, o índice ainda está abaixo da média regional, estimada em aproximadamente 20 kg per capita, indicando espaço para expansão da demanda doméstica.
Além do fortalecimento do consumo interno, o Paraguai também busca ampliar sua presença no mercado internacional. O país já realizou exportações de carne suína no ano passado, fator que vem estimulando novos investimentos da indústria na produção e no aumento da capacidade de processamento.

