Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, em meio a um impasse diplomático entre os dois países. A informação foi confirmada por fontes do Departamento de Estado americano à CNN, em um posicionamento enviado de forma não oficial.
Segundo as fontes, o governo americano manteve comunicação com o lado brasileiro por semanas antes de tomar a decisão. “Mantivemos comunicação contínua com o governo brasileiro durante semanas e demos ao governo brasileiro todas as oportunidades de fazer a coisa certa. No entanto, eles têm constantemente adiado e criado obstáculos”, afirmaram as fontes do Departamento de Estado.
Decisão não equivale a declaração de persona non grata
O posicionamento americano esclarece que a revogação do visto não constitui uma declaração formal de persona non grata, embora ressalve que opções diplomáticas adicionais permanecem disponíveis.
“Esta decisão da revogação não é uma declaração de persona non grata, embora opções diplomáticas adicionais permaneçam sobre a mesa caso o governo brasileiro continue adiando ou se recuse a conceder o agremat”, diz o texto.
As fontes indicam ainda que a medida tem caráter recíproco: caso a embaixadora deixe os Estados Unidos, ela precisará solicitar um novo visto para retornar ao país.
O impasse estaria diretamente relacionado ao atraso do governo brasileiro em conceder o agremat ao embaixador indicado por Donald Trump para representar os Estados Unidos no Brasil.
Política de “America First” como pano de fundo
O posicionamento do Departamento de Estado faz referência explícita à política externa americana.
“O presidente Trump tem o direito de determinar quem representa o povo e os interesses americanos em todo o mundo. O presidente Trump está montando uma equipe diplomática de elite baseada na política de America First”, afirmam as fontes.
O texto acrescenta ainda que os Estados Unidos “rejeitam qualquer tentativa de países estrangeiros de interferir em seus processos internos”.
A revogação do visto da embaixadora brasileira é descrita como uma decisão inédita e sem precedentes na história das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

