O governo da Argentina chegou a um acordo nesta terça-feira (5) para encerrar o protesto de práticos que paralisou parte das operações portuárias do país e deixou mais de 150 navios de carga fundeados desde o fim de semana. A informação foi divulgada pela France 24.
Segundo o governo do presidente Javier Milei, ficou acertada a suspensão da aplicação do decreto que promovia mudanças nas regras do serviço de praticagem, além de uma redução de 20% nas tarifas cobradas pela atividade. Em contrapartida, os profissionais retomaram imediatamente os serviços de assistência à navegação.
Os navios estavam impedidos de entrar ou sair dos principais portos argentinos localizados nos rios da Prata e Paraná, corredores por onde escoa cerca de 80% das exportações do país, segundo a Bolsa de Comércio de Rosário. A paralisação afetou especialmente embarques de grãos, derivados agrícolas e combustíveis.
Enquanto o impasse persistia, a Câmara da Indústria Oleaginosa da Argentina e o Centro de Exportadores de Cereais (CIARA-CEC) estimavam prejuízos de cerca de US$ 4,5 milhões por dia ao setor agroexportador.
A estimativa considera cerca de 45 navios parados e custos de demora entre US$ 50 mil e US$ 100 mil por embarcação ao dia, segundo comunicado oficial das entidades e o jornal argentino Rosaria Finanzas.
A entidade alertava que uma paralisação prolongada poderia comprometer o fluxo de grãos, elevar os custos logísticos e gerar um efeito em cadeia sobre toda a infraestrutura portuária do país.
Embora a paralisação tenha sido encerrada antes de provocar reflexos mais amplos na logística regional, especialistas avaliam que um bloqueio prolongado poderia afetar também a cadeia de comércio do Mercosul. Para o Brasil, os impactos seriam limitados, mas não descartados.
“Para o Brasil, pode haver efeitos pontuais em cargas que dependem da Argentina, no comércio bilateral e nas operações integradas do Mercosul. Também existe a possibilidade de alguns armadores redirecionarem escalas ou cargas para terminais de Montevidéu e do Sul do Brasil, mas ainda não há indicação de uma pressão significativa sobre os portos brasileiros”, afirmou Jackson Campos, especialista em comércio exterior.
O impasse começou após a publicação de um decreto do governo Milei que desregulava o serviço de praticagem e pilotagem, em vigor desde 1991. A proposta buscava ampliar a concorrência e reduzir custos logísticos, mas foi rejeitada pelos práticos, que alegaram riscos à segurança da navegação.
Após negociações, o governo decidiu suspender temporariamente a implementação da nova regulamentação e instalar uma mesa de diálogo com representantes da categoria. Com isso, a expectativa é de normalização gradual das operações portuárias e do fluxo de exportações argentinas nos próximos dias.
Com informações da France 24 e do Rosario Finanzas.

