Flávio Bolsonaro (PL) anunciou a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice na chapa presidencial para as eleições de 2026. A decisão encerrou as especulações sobre a possibilidade de uma mulher compor a chapa, após dois nomes femininos terem sido barrados antes da formalização da candidatura. A analista de Política da CNN Clarissa Oliveira avalia, ao Live CNN, os efeitos da decisão para sua campanha.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) havia aceitado o convite para integrar a chapa na semana anterior ao anúncio, mas não obteve o aval do PP para formalizar a composição.
Outro nome cogitado era o de Daniella Marques, recém-filiada ao Republicanos, que era considerada por ter trânsito com o mercado financeiro e com o setor empresarial. O Republicanos, no entanto, decidiu em convenção que não teria candidatos em chapas presidenciais e não comporia coligações nacionais.
Representatividade e pragmatismo na composição da chapa
Clarissa Oliveira avaliou que a montagem de uma chapa reflete, ao menos em parte, o olhar do candidato sobre o governo que pretende construir. “A representatividade, quando a gente está falando de figuras públicas, ela é importante”, afirmou a analista.
Ao mesmo tempo, foi ponderado que o candidato é Flávio Bolsonaro (PL), e que a ausência de uma mulher na vice “deixa de agregar alguns elementos”, sem necessariamente comprometer toda a campanha.
A analista também ressaltou que a escolha parece orientada por um pragmatismo político, com atenção a composições regionais e a um possível aceno a lideranças como Arthur Lira (PP-AL), num eventual governo.
“Existe algum pragmatismo nessa decisão, mas claramente o movimento de Flávio Bolsonaro (PL) não foi feito com o objetivo de ganhar força nos setores do eleitorado que a gente mencionou”, avaliou Clarissa.
Para contextualizar, foi lembrado que o atual vice na chapa do presidente Lula também é um homem — Geraldo Alckmin (PSB) —, o que indica que a ausência de uma mulher na vice-presidência não é exclusividade da campanha de Flávio.
A questão que permanece, segundo a analista, é como a campanha irá compensar os elementos que a escolha não agrega. “Vamos aguardar para ver como a campanha de Flávio vai se portar agora diante desses desfalques”, concluiu a analista.

