A transmissora colombiana Isa Energia não irá disputar o próximo leilão de transmissão, previsto para acontecer em outubro, e passou a concentrar sua atenção no primeiro leilão de baterias do país. Em entrevista à CNN, o CEO da companhia, Rui Chammas, afirmou que a empresa estuda participar do certame de armazenamento de energia, que pode abrir uma nova frente de crescimento para a transmissora colombiana.
A portaria do MME (Ministério de Minas e Energia) estabeleceu dois certames distintos, um reservado a projetos com conteúdo nacional e outro aberto a todos os fornecedores, numa tentativa de estimular a indústria local sem restringir a competição.
“Não está nos nossos planos ir para o leilão de transmissão, mas estamos estudando o leilão de baterias”, disse o executivo.
Caso confirme a participação, a Isa entrará no leilão com uma vantagem em relação aos concorrentes. A companhia é hoje a única transmissora do país com experiência operacional em sistemas de armazenamento em baterias, por meio de uma instalação de 30 MW em Registro (SP).
O empreendimento foi desenvolvido para reforçar o fornecimento de energia ao litoral sul paulista nos períodos de maior consumo, especialmente durante o verão, como nas festas de Natal e Ano Novo.
O interesse da empresa pelo novo mercado ocorre após um período de forte expansão em transmissão. O último leilão do segmento disputado pela Isa foi em junho de 2023. Atualmente, a companhia executa um plano de investimentos de R$ 12 bilhões, destinado à implantação de projetos conquistados em leilões anteriores e a obras de reforços e melhorias em sua rede.
Segundo Chammas, o modelo regulatório desenhado para o leilão de baterias possui características semelhantes às das concessões de transmissão, tornando o negócio atrativo para a empresa.
“As regras do leilão de baterias têm uma característica que aproxima muito da gestão de ativos que temos em concessão de transmissão: não há risco de volume, preço de energia e haverá pagamento por disponibilidade e pode representar para uma empresa como a nossa uma quarta avenida de crescimento no nosso portfólio”, afirmou.
Apesar do interesse, o executivo ressalta que ainda há incertezas em torno do certame, principalmente em relação ao tamanho da demanda que será contratada pelo governo. A diretora financeira da empresa Silvia Wada, acrescenta que a forte concorrência pode atrapalhar, já que a disputa pode espremer as margens.
O primeiro leilão brasileiro de armazenamento em baterias, na modalidade de reserva de capacidade na forma de potência, despertou forte interesse do mercado. Segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), foram cadastrados 6.091 projetos, que somam quase 300 GW de potência, um volume recorde.
As baterias serão remuneradas pela disponibilidade de potência ao sistema elétrico, funcionando como uma reserva para atender momentos de maior demanda e aumentar a confiabilidade da operação, em um modelo que reduz a exposição dos investidores aos riscos de preço e de comercialização de energia. Essa característica é justamente um dos principais fatores que aproximam o negócio do perfil tradicional das empresas de transmissão.
