Raphael Lafetá, presidente do Sinduscon-MG (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais), afirmou nesta segunda-feira (3) que produtividade não está relacionado ao operário da construção civil trabalhar mais, mas trabalhar melhor.
Ele falou durante participação no Eloos, evento promovido em parceria entre a Itatiaia e a CNN Brasil, em Belo Horizonte.
O executivo citou que, para esse aumento de produtividade, uma mudança na legislação é essencial.
“A reforma tributária pode dar esse impulso, mas não é suficiente. Precisamos mudar as leis, principalmente aquelas que regam os municípios, os códigos de obra. Precisamos de padronização”, afirmou.
Para ele, esse é o principal gargalo da indústria, que traz dificuldades para a mão de obra.
“Precisamos de uma industrialização da construção civil. Ainda somos muito artesanais, precisamos dar caráter de indústria”.
Tornar o setor mais “industrial”, na visão de Lafetá, seria deixar pequenos passos da construção mais simples, como a construção off-site, aquela que acontece fora do local da edificação.
“Primeiro se constroem as paredes, produzimos a fiação por chicote elétrico, para depois encaixar no produto final”, explicou.
No entanto, o presidente disse também que sem uma mudança e padronização da legislação, esse tipo de movimento é difícil de ser realizado. “Não é sobre investimento. Não adianta investir no que não pode ser executado”.
Evento Eloos
Os desafios e as oportunidades da indústria brasileira estarão no centro do debate do quinto ciclo do Eloos.
O evento será realizado no Espaço Ava, em Belo Horizonte, e contará com a presença de lideranças políticas e empresariais para debater os potenciais do setor industrial no Brasil.
Neste ciclo, especialistas, executivos e autoridades debatem o papel da indústria na transformação da economia brasileira, os desafios e potencialidades de um setor estratégico para o desenvolvimento do país.
Programação
A programação será divida em três painéis. O primeiro debate será sobre os dois gargalos que travam a competitividade brasileira no comércio internacional: a fragilidade dos mecanismos de defesa comercial (antidumping) diante da concorrência desleal externa e o chamado “Custo Brasil” (logística cara, malha ferroviária pouco integrada, burocracia e tributação).
Na sequência, os participantes irão discutir sobre novos pactos de trabalho. O foco será na proposta de fim da escala 6×1 e seus efeitos sobre comércio, serviços e indústria, somada ao apagão de mão de obra técnica.
Por fim, o Eloos traz ao debate a diversificação industrial e o futuro do setor em Minas Gerais. Os participantes irão apontar como transformar um estado de base mineral em plataforma de diversificação industrial — siderurgia avançada, bens de capital, eletromobilidade e tecnologia.

