Os impactos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã sobre o equilíbrio de poder internacional favorecem a China, segundo avaliação do coronel veterano do Exército brasileiro e professor da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), Eduardo Migon.
Em entrevista ao programa WW Especial, da CNN Brasil, que discutiu se o mundo estaria mais próximo de uma guerra global, o professor afirmou que Pequim tem ampliado sua influência estratégica enquanto observa desgastes na capacidade militar dos EUA.
Segundo Migon, a análise do cenário internacional passa pela relação entre decisões políticas, condições econômicas, recursos disponíveis e as capacidades militares de cada país. Nesse contexto, ele avalia que a China aparece como o principal beneficiário da conjuntura atual.
“Estamos falando sobre estratégia das nações, decisões políticas, bases socioeconômicas, recursos no território e a ponte que une esses dois extremos: as capacidades, as possibilidades e intenções”, afirmou.
Ao comentar especificamente os efeitos dos conflitos no Golfo Pérsico, o professor disse que a China consegue transformar o atual cenário em uma oportunidade para ampliar seu poder global. “A China é o grande que se beneficia desse processo, porque ela é um grande ator econômico”, declarou.
Na avaliação de Migon, os Estados Unidos enfrentam um desgaste de sua capacidade militar em razão do consumo de recursos e equipamentos envolvidos em conflitos recentes.
“A China percebe os Estados Unidos perdendo o poder militar, seja pelo orçamento investido, pelo consumo de munições e armamentos ou pelas perdas de determinados elementos de combate, como aeronaves e radares. Com isso, ela consegue aumentar o seu poder global”, disse.
O coronel destacou que Pequim tem aproveitado esse momento para fortalecer suas Forças Armadas, especialmente no campo naval e tecnológico. Segundo ele, a Marinha chinesa deixou de ser voltada principalmente para águas interiores e passou a desenvolver maior capacidade de projeção.
“A China tinha uma marinha que era mais restrita a águas interiores, agora é uma marinha com penetração de maior competência, começou a ter porta-aviões, absorve tecnologias mais avançadas, vem avançando muito em tecnologias quânticas, radares quânticos que dificultam, por exemplo, submarinos, que dificultam aviões invisíveis”, explicou.
Apesar do avanço militar chinês, Migon ressaltou que o crescimento econômico continua sendo um fator central para a estratégia de Pequim. Para ele, a China busca ampliar sua influência sem necessariamente partir para um confronto neste momento.
Na visão do professor da Eceme, a combinação entre expansão econômica, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento militar permite à China aumentar sua posição no sistema internacional enquanto evita, por enquanto, uma ruptura direta com seus principais rivais.
“Os chineses têm um poder militar crescente, estão se estruturando para isso, se beneficiam de bom comércio, riquezas, melhoria de qualidade de vida. Então, para que desafiar com um conflito, ou para que desafiar com um conflito neste momento, que eu consigo me beneficiar, crescer economicamente, crescer militarmente?”, questionou.
WW Especial
Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.
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*Publicado por Jorge Fernando Rodrigues

