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Análise: Trump realmente se importa se a Rússia ajudar o Irã?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Análise: Trump realmente se importa se a Rússia ajudar o Irã?

Quando o presidente americano Donald Trump lançou a guerra contra o Irã, um de seus principais objetivos era impedir que Teerã financiasse grupos aliados no Oriente Médio. Esses grupos aliados, observou ele, eram responsáveis ​​por ferir e matar dezenas de soldados americanos.

No entanto, quando se trata de saber se a Rússia está ajudando o Irã a atacar esses americanos, Trump parece notavelmente desinteressado.

E essa tem se tornado uma postura bastante recorrente da parte dele.

O exemplo mais recente vem do depoimento do secretário de Defesa, Pete Hegseth, perante uma comissão do Senado na semana passada.

Quando questionado se a China e a Rússia estavam ajudando o Irã, Hegseth citou “maneiras pelas quais ambos os países” têm “possibilitado algumas das coisas que o Irã está fazendo, sim”.

Dois dias depois, o secretário de Estado, Marco Rubio, ignorou uma pergunta sobre o assunto enquanto estava sentado em frente ao ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov.

Então, Trump publicou uma postagem nas redes sociais contradizendo Hegseth. Ele disse que a China e a Rússia, “na minha opinião, não estavam participando” da guerra contra o Irã porque seus líderes lhe garantiram que não estavam vendendo armas para Teerã.

“Eu acho que, sabe, confio neles”, disse o presidente mais tarde naquele dia, acrescentando: “Pode haver algumas coisas que eles façam. Mas, até agora, pelo menos, não foi nada grave. Não acho que eles queiram me decepcionar.”

Mas a Rússia não é acusada apenas de potencialmente armar o Irã; o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que Moscou forneceu ao Irã imagens de satélite de bases americanas.

Questionado sobre isso na segunda-feira (27), Trump minimizou novamente a importância do assunto, dizendo que teria sido “irrelevante”, mas acrescentou: “Vamos descobrir se isso é verdade. Vou perguntar a (Vladimir) Putin sobre isso.”

Mas não é como se essa fosse uma história nova para ele abordar repentinamente com Putin.

A primeira reportagem da CNN sobre o assunto foi publicada há quase cinco meses, no início de março, quando noticiou que a Rússia estava fornecendo informações sobre alvos militares americanos ao Irã, de acordo com múltiplas fontes familiarizadas com a inteligência americana. (O New York Times noticiou posteriormente que autoridades americanas e europeias também acreditavam que Moscou estava fornecendo drones e peças de drones ao Irã, o que o Kremlin negou.)

O presidente reagiu à reportagem da CNN de março de forma muito semelhante à notícia de hoje. Ele disse que “não tinha qualquer indício disso”, mas que os resultados nos primeiros dias da guerra sugeriam que não importava muito.

“Se isso aconteceu ou não, francamente, não importa muito”, acrescentou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, “porque o presidente Trump e as Forças Armadas dos Estados Unidos estão dizimando completamente o regime terrorista iraniano”.

Um dos negociadores de Trump para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia, Steve Witkoff, disse ter instruído “enfaticamente” a Rússia a não fornecer ao Irã informações sobre alvos e outros tipos de ajuda. Mas o presidente nunca afirmou isso de forma tão categórica.

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com o presidente russo, Vladimir Putin, no Alasca • 15 de agosto de 2025 REUTERS/Kevin Lamarque

E, mesmo após mais mortes de americanos pelas mãos do Irã neste mês, o assunto aparentemente ainda não o preocupa muito.

Tudo isso soa muito parecido com o primeiro mandato de Trump, quando também havia informações de inteligência ligando a Rússia ao ataque a tropas americanas. Naquela época, a Rússia possivelmente oferecia recompensas pela morte dessas tropas no Afeganistão.

Em meados de 2020, Trump negou ter sido informado verbalmente sobre isso. Mas a CNN e outros veículos noticiaram que a informação constava em seu briefing diário de fevereiro de 2020 (que ele não costuma ler na íntegra) e que a Casa Branca havia recebido informações sobre essa possibilidade já no início de 2019.

Trump classificou a história como possivelmente uma “farsa” e “notícia falsa” e, semanas depois da publicação da reportagem, disse que se recusou a mencioná-la durante uma ligação com Putin.

“Eu nunca discuti isso com Putin”, disse Trump à Axios na época. “Eu discutiria, não tenho problema nenhum com isso.”

O governo Trump enfatizou que as informações de inteligência não eram conclusivas, e o governo Biden afirmou, em 2021, que a CIA tinha apenas “baixa a moderada confiança” nelas. Mas isso ainda deixa a possibilidade em aberto. E, considerando que envolve a vida de soldados americanos, parece ser algo que um presidente poderia achar bastante interessante.

Trump, porém, fez o que costuma fazer: estabelecer uma aparente equivalência moral com as ações dos EUA. Durante seu primeiro mandato, ele comparou a possibilidade de a Rússia oferecer recompensas pela morte de soldados americanos ao apoio dos Estados Unidos às forças antissoviéticas no Afeganistão na década de 1980. E, em março, disse que a Rússia “diria que fazemos isso contra eles, não é?”.

O problema dessa postura não é apenas colocar os Estados Unidos em um patamar moral semelhante ao da Rússia; é enviar uma mensagem à Rússia de que ajudar o Irã a atacar tropas americanas, se isso de fato estiver acontecendo, não é uma linha vermelha para Trump.

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