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Entenda os juros que pesam na dívida pública do Governo Federal

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O custo médio da dívida pública federal acumulado nos últimos 12 meses subiu para 12,68% ao ano no mês de junho, o maior patamar desde setembro de 2016, quando o índice estava em 12,75%. Os dados constam no relatório de estatísticas fiscais divulgado pelo Banco Central, que também revelou que o déficit no setor público consolidado — formado pela União, estados, municípios e estatais — superou R$ 55 bilhões no mês.

De acordo com o documento, o resultado negativo foi influenciado principalmente pelo déficit observado no governo central, que foi deficitário em cerca de R$ 47 bilhões, também em junho. As estatais apresentaram um déficit de cerca de R$ 1,5 bilhão, enquanto os governos regionais — formados pelos estados e municípios — registraram um déficit de cerca de R$ 6,6 bilhões.

Juros pesam sobre as contas públicas

A analista de economia Lucinda Pinto explicou que os juros têm sido o principal fator de pressão sobre a dívida pública. “Só no mês de junho foram 110 bilhões em custo por causa dos juros”, afirmou. Segundo ela, quando se soma a diferença entre receita e despesa ao custo dos juros, “o rombo primário chega a 166 bilhões de reais somente no mês de junho”. Lucinda destacou ainda que, ao se observar a despesa com juros acumulada em 12 meses, ela supera um trilhão de reais.

A analista também apontou que o cenário é resultado de uma dinâmica em que o governo precisa tomar dívida para cobrir o déficit, e essa dívida cresce a um custo elevado. “A dívida está crescendo tanto e ela custa tão caro que esse rombo aumenta muito“, disse. Lucinda ressaltou ainda que, enquanto o Banco Central tenta frear a economia para reduzir a inflação, medidas de estímulo à atividade têm continuado a injetar dinheiro na economia, sustentando o consumo e, consequentemente, a inflação.

Dívida bruta avança e se aproxima de patamares da pandemia

O Banco Central informou que a dívida bruta do governo geral — que compreende o governo federal, o INSS e os governos estaduais e municipais — subiu para cerca de 81,9% do PIB em junho, alcançando aproximadamente R$ 10,8 trilhões. Lucinda Pinto lembrou que esse patamar é muito próximo do registrado em 2021, durante a pandemia, quando a relação dívida-PIB chegou a 82,6%. Naquele momento, a taxa Selic foi reduzida a 2% ao ano — o menor nível da história —, e a relação dívida-PIB chegou a recuar para 71,4% em 2022.

Desde então, no entanto, a dívida voltou a crescer. De acordo com a analista, os gastos do governo aumentaram novamente, algumas medidas que deveriam ter sido suspensas após a pandemia permaneceram em vigor, e a taxa de juros voltou a subir com o avanço da inflação, chegando a 15% ao ano alguns meses atrás.

Olhando para o futuro, Lucinda alertou que “o juro vai continuar alto, vai demorar para cair, ao mesmo tempo em que os economistas estão vendo uma desaceleração do PIB pela frente”. Ela acrescentou que há economistas projetando uma relação dívida-PIB acima de 83% no curto prazo e até 100% até o final de 2027.

As projeções de mercado indicam que a Selic deve permanecer em dois dígitos — acima de 10% — até o final de 2028, o que significa que “o custo do governo para rolar essa dívida vai continuar muito caro”.

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