O senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025, segundo relatório da Polícia Federal divulgado nesta quinta-feira (30).
Somadas, as chamadas totalizam cinco horas e 30 minutos de conversa entre os dois.
No mês de junho, a PF deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve o ex-líder do governo na Casa Alta como alvo.
Segundo a PF, foram identificados elementos que indicam o “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente” por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao Banco.
A investigação apurou que foram identificadas, por exemplo, ao menos quatro situações nas quais o senador teria sido transportado em aeronaves ligadas ou operadas por pilotos vinculados a Augusto Lima, inclusive por meio de aeronaves eventualmente locadas.
A compra de um imóvel, propina e até ingressos para um show aparecem entre as benesses oferecidas a Jaques Wagner.
Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga Lima”, foi CEO do Master e controlador do Banco Pleno, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo BC (Banco Central) em fevereiro deste ano.
O ex-sócio foi preso preventivamente na 1ª fase da operação, realizada em novembro de 2025. Dias depois, foi solto junto de outros investigados com tornozeleira eletrônica, após determinação da desembargadora Solange Salgado.
Augusto foi intimado para prestar esclarecimentos em janeiro, mas o interrogatório foi cancelado após a defesa avisar que ficaria em silêncio caso não tivesse acesso aos autos e todas as provas já colhidas. O empresário havia sido intimado novamente pela PF para depor em maio.
O depoimento de Augusto Lima é tratado como peça-chave nas fraudes do principal inquérito da PF sobre a ligação do Master com as empresas Tirreno, Cartus e BRB.
A CNN Brasil procurou a defesa do senador. O espaço segue aberto para manifestação.

