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Especialista: Republicanos se sentem no direito de rejeitar Trump nos EUA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Especialista: Republicanos se sentem no direito de rejeitar Trump nos EUA

A relação entre Donald Trump e a base republicana no Congresso dos Estados Unidos atravessa um momento de crescente tensão. Segundo o CEO da Arko Advice Internacional, Thiago de Aragão, ao WW, o cenário de deterioração econômica e os desdobramentos da guerra no Oriente Médio têm levado parlamentares do próprio partido a se distanciar da liderança do país.

“Essa situação do Trump em relação ao Congresso é fruto não só da inflação, mas a guerra do Irã tem um aspecto muito pesado nisso”, afirmou Aragão.

Segundo o especialista, essa insatisfação generalizada passou a estimular republicanos a questionar temas que anteriormente apoiavam, pois “agora eles se sentem no direito de rejeitar, justamente pelo ambiente deteriorado que o presidente encontra”.

O caso Todd Blanch e a questão tributária

Um dos episódios centrais dessa disputa envolve Todd Blanche, que atua como procurador-geral interino. De acordo com Aragão, Blanche representa uma proteção significativa para Trump, especialmente em relação a investigações da Receita Federal sobre a fortuna de Trump e de seus filhos — uma investigação que poderia resultar em um pagamento de US$ 100 milhões em multas e impostos.

“O tema do imposto de renda aliado ao tema do Epstein são os dois grandes fantasmas que têm no armário do Trump e que ele precisa, de alguma forma ou outra, ter pessoas leais para proteger”, disse o especialista.

Segundo o analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna, dois senadores republicanos, John Cornyn e Thom Tillis, decidiram não concorrer mais após serem boicotados por Trump nas primárias por manterem posições críticas em relação a ele. Ao final de seus mandatos, ambos optaram por enfrentar a liderança do país.

Eles propuseram a Blanche que o escopo da proteção tributária fosse reduzido apenas a Trump, a dois de seus filhos, à organização Trump e a anos anteriores, em troca de aprovação da indicação. Trump, porém, recusou o acordo e preferiu manter Blanche na condição de interino.

Lourival alertou ainda que Trump pode não ter maioria suficiente no comitê do Judiciário do Senado para aprovar o nome de Blanche após as eleições de midterms.

Risco de perda de cadeiras nas midterms

Aragão destacou que a resistência dos parlamentares tem motivação também eleitoral. “Muitos desses republicanos, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, estão vendo nas pesquisas locais que vários candidatos democratas estão se saindo melhor e com a possibilidade maior de desbancar muitos desses parlamentares americanos”, explicou.

Para o especialista, se isso já representa um pesadelo para Trump, é ainda mais grave para os próprios políticos que correm o risco de perder seus assentos.

Há ainda outro ponto de atrito: um projeto para pagar US$ 1,8 bilhão de indenização a pessoas condenadas pela invasão do Capitólio, sob o argumento de perseguição do Estado. Republicanos contrários à medida a enxergam como uma transferência de recursos para seguidores de Trump.

“Existe um efeito dominó muito grande que começou com inúmeras insatisfações do passado e está culminando com as insatisfações do presente”, concluiu Aragão.

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