Uma análise da Global Footprint Network, publicada nesta quinta-feira (30), indicou que o mundo entrou em dívida ecológica ao esgotar os recursos naturais anuais do planeta Terra.
O que significa estar em dívida ecológica?
De acordo com a organização internacional para a sustentabilidade, responsável pelos dados, os resultados demonstram que a humanidade utilizou os recursos naturais 73% mais rápido do que o planeta é capaz de os regenerar.
Na prática, isso significa que, no ano de 2026, foram usados recursos naturais equivalentes a 1,73 planetas Terra.
Quais são as consequências?
Segundo a organização, as consequências são desastrosas. Entre elas, destacam-se a desflorestação, a erosão dos solos, a perda de biodiversidade e a acumulação de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.
O estudo indica ainda que se a sobrecarga da Terra continuar a aumentar aos níveis atuais, a dívida ecológica vai crescer ao ritmo de 0,73 planetas ao ano, levando ao aumento da concentração de CO2, gás que contribui para o aquecimento global.
A Global Footprint Network ressalta que a dívida ecológica acumulada com o planeta é já de 20,6 anos de sobrecarga, o tempo que seria necessário para a regeneração da Terra se isso fosse possível, o que a organização considera improvável.
“A sobrecarga não é uma preocupação ambiental distante. Ela já está produzindo impactos econômicos”, afirma o Dr. David Lin, um dos principais autores do estudo e Cientista-Chefe da Global Footprint Network. “Os países que se planejarem para um futuro com recursos limitados serão os mais bem posicionados para resistir a ele. No momento, quase nenhum está.”
O que pode ser feito para frear o aumento da dívida ecológica?
Os autores do relatório recomendam que cada país estabeleça uma força-tarefa ou uma comissão parlamentar para mapear suas dependências de recursos, sua exposição financeira e as opções para construir resiliência antes que o próximo choque de recursos ocorra.
A redução para metade do consumo de carne e a sua substituição por uma alimentação vegetariana também é uma das opções que possibilitaria o atraso do uso do crédito ambiental em alguns países.
Uma redução de 50% nas emissões de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis também é uma das inúmeras alternativas vantajosas para desacelerar o aumento da dívida.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

