A investigação aberta contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeita de tráfico de influência, teve origem nas apurações sobre as fraudes bilionárias no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Segundo o analista de segurança pública Elijonas Maia, a equipe de investigação da Polícia Federal vem chamando os elementos que embasam esse novo inquérito de “encontro fortuito”, ou seja, quando há a descoberta acidental de indícios de outros crimes durante uma investigação em curso.
Neste caso, os elementos que embasaram o novo inquérito foram encontrados durante as investigações do chamado “rombo do INSS”, que apurava descontos irregulares nos contracheques de aposentados e pensionistas.
Durante o Bastidores CNN desta sexta-feira (31), Elijonas explicou que a suspeita sobre Lulinha surgiu quando a PF estava analisando as notas fiscais das empresas de Antônio Camilo Antunes, o “careca do INSS”, e mensagens do celular da empresária Roberta Luchsinger, que trabalhou com Camilo Antunes e é amiga de Lulinha.
“Quando a PF encontra um elemento que não tenha relação com o que está sendo investigado no inquérito, que neste caso é a fraude do INSS, ela é obrigada a informar ao Supremo Tribunal Federal e pedir a abertura de um novo inquérito”, explicou o analista.
Isso significa, segundo Elijonas, que esse novo inquérito aberto contra o Lulinha não tem relação com o INSS, mas é fruto da investigação do INSS.
A partir disso, a PF formalizou o pedido de abertura do inquérito ao STF. Elijonas explicou que esse pedido ocorreu durante o plantão judiciário.
Por conta disso, o caso foi sorteado e acabou indo para o gabinete do ministro André Mendonça, que já é o relator do inquérito original sobre as fraudes no INSS.
Com a formalização da investigação, a Polícia Federal passa a dispor de mais ferramentas para apurar os fatos, incluindo a possibilidade de realizar depoimentos, novas quebras de sigilo fiscal e bancário, monitoramento de mensagens e, eventualmente, o próprio interrogatório de Lulinha.
Segundo investigadores da PF, ainda não há previsão para o agendamento desse interrogatório.
Relembre depoimento da empresária
Em depoimento prestado à Polícia Federal em maio, Luchsinger falou que Lulinha viajou para Portugal com passagem paga pelo “careca do INSS“ com o objetivo de abrir negócios relacionados a produtos à base de canabidiol no Brasil.
A empresária afirmou no depoimento que “Fábio [Lulinha] foi convidado por sua curiosidade relativa ao assunto, oriunda inclusive em função da utilização de medicamentos à base de canabidiol por familiares”.
A defesa de Lulinha, representada por Marco Aurélio Carvalho, contestou esse trecho.
Ele sustentou que a própria empresária deixou claro, em mensagens monitoradas pela PF, que sua relação com o “careca do INSS” decorreu de um contrato para desenvolver negócios relacionados ao canabidiol no Brasil, “sem qualquer vínculo com as supostas fraudes investigadas”.

