O Miami Dolphins é uma das franquias da NFL (National Football League) com maior inserção no Brasil. No terceiro ano seguido em que o país cedia uma partida de temporada regular, os Dolphins aproveitam para expandir a marca e conquistar cada vez mais fãs.
Em conversa com a CNN Brasil, o vice-presidente de Desenvolvimento Internacional da franquia, o brasileiro Felipe Formiga, falou que os planos de crescimento internacional nunca estiveram tão intensos.
O time divide sua expansão para fora dos Estados Unidos em três núcleos: Espanha e Reino Unido, México e Colômbia, e Brasil e Argentina – onde o responsável direto pela administração da marca é o general manager Henrique Dias.
Após participar de três jogos internacionais desde 2021, sendo o último contra o Washington Commanders no Santiago Bernabéu, em Madrid, a questão que fica é: o Dolphins tem planos de jogar no Brasil? Formiga é enfático ao dizer que sim, mas que a escolha não é da franquia.
“Sempre que temos uma oportunidade, acenamos para a NFL falando do nosso desejo de jogar. Eu, como brasileiro, carrego um sonho de voltar para jogar no Brasil. Vou sempre fazer tudo o que tiver no meu alcance para isso”, afirmou, com a ressalva de que ainda é uma decisão unilateral da liga.
Por causa do formato de montagem do calendário e da estratégia de expansão da liga, assim como dos times, a distribuição da agenda é muito complicada. Em 2026, por exemplo, os Dolphins não terão um jogo internacional. “A NFL tem sido muito inteligente em considerar as vontades e os mercados das equipes, tentando montar o calendário da melhor forma possível’.
Mas o crescimento no Brasil independe dos resultados do time de Jeff Hafley. O objetivo de Formiga e Dias é em tornar os Dolphins, em cinco anos, no time de futebol americano mais amado do Brasil.
Educação, cultura e marca
Os Dolphins trabalham com três pilares para o crescimento de marca no Brasil. No “país do futebol”, onde o basquete também cresce e o tênis ganha mais torcedores com o jovem João Fonseca, o desafio é grande, mas nada impossível.
Para Formiga, o Flag Football é a porta de entrada ideal para que principalmente crianças tenham contato com o esporte desde cedo. “O desenvolvimento vai além do flag. Temos parceiros com a CBFA (Confederação Brasileira de Futebol Americano) hoje que dão suporte aos times profissionais de flag que estão competindo nos níveis mais altos no mundo”, destacou o executivo sobre o cenário já positivo do esporte.
Além de tentar atrair crianças para o contato educativo, a conexão com os fãs locais para ampliar a cultura cultivada nos EUA é fundamental. Seja com ativações constantes ou “watch parties” das partidas, o objetivo é conectar pessoas para além do esporte.
“Como a gente cria esses momento de contato com eles? Como vamos mostrar para eles que temos uma sinergia cultural gigantesca? Pensando em Sul da Flórida, Miami. Estamos falando também de gastronomia, diversidade de música, artes. Tudo isso conta bastante para a gente”.
A vertical de negócio e estratégia de expansão de marca com parceiros deve se retroalimentar com os outros dois pilares, segundo o executivo. “Estamos em uma busca constante por parceiros que possam ser catalisadores desse ecossistema. Os dois pilares são plataformas que a gente constrói para poder monetizar isso com o negócio”, explicou.
Planos para o futuro
Formiga conta que o futuro dos Dolphins no Brasil passa por uma trajetória de construção de parceiros a longo prazo. O plano não é só ter o time da NFL mais amado pelos brasileiros, mas que a franquia faça parceiros que ajudem a comunicar a marca de uma forma autêntica.
“É muito comum que, quando a gente fala de parceria ou de patrocínio, a primeira coisa que vem à nossa cabeça são são os números. Mas nossa ideia é capitalizar o grupo que já nos conhece para nos ajudar a contar essa história. Continuar celebrando nossa base de fãs local, mas como podemos falar com novos parceiros, novos fãs”, diz Formiga.
O executivo destaca que tão importante quanto estimular os torcedores atuais é construir presença em ambientes em que o Dolphins não está. “Falar com públicos e audiências não óbvias, até pessoas que não acompanham NFL, mas pessoas novas que passem a conhecer por meio deste tipo de parceria”.
Miami Dolphins Academy
A iniciativa da franquia propõe não só o desenvolvimento de crianças e jovens com o flag, mas pontos fixos para que treinadores também sejam desenvolvidos e repassem o conhecimento para suas comunidades – como ocorre nesta semana em um complexo esportivo na Barra Funda, na zona Oeste de São Paulo.
“Queremos ter um núcleo fixo em São Paulo e outro no Rio de Janeiro como bases. Essas iniciativas não devem ser só uma clínica, mas uma escolinha que vai permanecer no país. Hoje damos o ponto a pé inicial para esse processo”, diz Formiga sobre o lançamento da Miami Dolphins Academy.
A academia pretende ser um espaço democrático de acesso a crianças que querem aprender o esporte, justamente por ser mais inclusivo em relação ao futebol americano, que demanda mais equipamentos e preparo físico. As clínicas e as experiências oferecidas pelos Dolphins são gratuitas.

