O dólar operava com viés negativo ante o real e o Ibovespa sobe nesta manhã de quinta-feira (30), com os investidores atuando ainda sob influência da decisão do Fed (Federal Reserve) na véspera e monitorando o conflito no Oriente Médio.
Na cena doméstica, o mercado digere uma bateria de dados, com destaque para a queda do desemprego e a manutenção da inadimplência.
Às 10h20, o dólar perdia 0,5%, negociado a R$ 5,091 na venda. A divisa encerrou a véspera com baixa de 0,22%, aos R$ 5,110.
Na mesma hora, o Ibovespa avançava quase 0,6%, aos 174,9 mil pontos, em linha com alta generalizada nas bolsas em Wall Street.
Fed mantém juros
O resultado era esperado pela maior parte do mercado e representa a quinta reunião seguida do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) de taxas inalteradas.
Os custos de empréstimos de longo prazo do governo dos EUA atingiram seu nível mais alto desde 2007 na quinta-feira, enquanto as ações globais se recuperaram após alguns sinais encorajadores de lucros tranquilizarem os investidores.
No entanto, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, transmitiu mensagens contraditórias sobre as perspectivas para a política monetária e a inflação.
Os investidores tiveram dificuldades em prever o próximo passo do Fed – um desafio agravado pela decisão de Warsh de não mais oferecer orientações futuras.
Os mercados estão em uma conjuntura delicada, com quedas acentuadas nas ações de algumas das maiores vencedoras do boom da IA assustando os investidores.
“Não acreditamos que a história da IA tenha chegado ao fim, de forma alguma, mas claramente há espaço para alguns percalços ao longo do caminho”, disse Sanjiv Tumkur, chefe de pesquisa de ações da Rathbones.
A semana decisiva para os mercados foi ainda mais complicada pela renovação das tensões no Oriente Médio, dificultando aos investidores a avaliação das implicações inflacionárias da alta dos preços do petróleo.
A queda no preço do petróleo Brent no mês passado ajudou a conter a inflação de junho, mas os preços do petróleo subiram desde então para mais de US$ 92 o barril.
Desemprego e inadimplência
A taxa de desemprego no Brasil foi de 5,4% no trimestre móvel encerrado em junho, segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Este é o menor resultado para o período na série histórica, iniciada em 2012.
O resultado mostra queda ante o registrado no período entre janeiro e março, quando o desemprego ficou em 6,1%.
Segundo o IBGE, também houve recuo na comparação com o mesmo trimestre móvel do ano passado. No período encerrado em junho de 2025, o indicador estava em 5,8%.
Dados do Banco Central publicados mais cedo também mostraram que inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional situou-se em 4,7% em junho. A taxa é a mesma de maio, a maior da série histórica iniciada em março de 2011.
Os dados consideram atrasos superiores a 90 dias.
Em 12 meses, a inadimplência da carteira de crédito subiu 1,0 p.p. Nas operações com pessoas jurídicas e com pessoas físicas, a inadimplência permaneceu estável no mês, situando-se em 3,2% e 5,6%, respectivamente.
*Com Reuters
