Os conflitos internacionais bagunçaram o fluxo do comércio e o Brasil está de olho em como aumentar as exportações a partir da escalabilidade que possui no setor de alimentos. Esta é a principal mensagem do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, que defendeu nesta quinta-feira (30), em Brasília, a expansão de exportações como “essencial para o desenvolvimento econômico do país”.
Durante a primeira edição do Outlook Agro Brasil é organizada pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Müller destacou o papel estratégico do agronegócio brasileiro no abastecimento global.
Segundo ele, as vendas externas do setor cresceram dez vezes nas últimas duas décadas, reforçando a capacidade do Brasil de contribuir simultaneamente para a segurança alimentar e ambiental, ao ampliar a produção de alimentos, biocombustíveis e créditos de carbono.
Müller afirmou que esse potencial, no entanto, depende de um ambiente de previsibilidade e estabilidade no comércio internacional.
Na avaliação dele, conflitos geopolíticos e o aumento de tarifas elevam as incertezas e dificultam os investimentos, enquanto o Brasil busca se posicionar como um parceiro confiável, aberto ao diálogo, à redução de barreiras comerciais e à celebração de novos acordos.
“Ninguém faz acordo com um país em que não confia”, afirmou, acrescentando que a abertura de mercados conquistada pelo agronegócio brasileiro é resultado da credibilidade construída pelo país junto aos parceiros comerciais.
Por outro lado, desafios estão à mesa. O diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Alex Giacomelli afirmou que o Brasil atravessa um período de profundas transformações no comércio global, marcado pelo redesenho das cadeias produtivas e pelo aumento de medidas tarifárias unilaterais.
Segundo ele, diante desse cenário, o país ocupa uma posição privilegiada para oferecer soluções em agropecuária sustentável e se consolidar como um fornecedor confiável de alimentos para dezenas de países que dependem da produção brasileira para garantir a segurança alimentar.
Giaconelli atribuiu essa credibilidade ao trabalho desenvolvido pelo setor ao longo dos últimos anos e destacou o avanço da agenda comercial brasileira, com acordos firmados com a EFTA, União Europeia e Singapura, além das negociações em andamento com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Japão e Coreia do Sul.
O diplomata ressaltou ainda que a competitividade do agronegócio também depende da estabilidade das rotas logísticas e do abastecimento de insumos estratégicos. Ele ressaltou que o Itamaraty tem atuado em conjunto com o Mapa para preservar o fluxo do comércio internacional, com reuniões com governos estrangeiros para garantir a continuidade do fornecimento de insumos.
Para Giaconelli, em um ambiente internacional cada vez mais fragmentado, diversificar parceiros comerciais deixou de ser apenas uma estratégia desejável e passou a ser um imperativo econômico para o Brasil.
Outlook Agro Brasil
O evento reúne autoridades e representantes setoriais que estão de olho nas perspectivas para a agropecuária brasileira na safra 2026/27, além dos principais fatores que devem influenciar a produção, o comércio e os investimentos nos próximos meses.
A abertura do evento contou com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; e da presidente executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Regina Zanella.
Além das discussões técnicas, o encontro busca consolidar um espaço permanente de diálogo entre governo, setor produtivo e especialistas, reunindo análises que possam subsidiar decisões de produtores, cooperativas, empresas e investidores ao longo da próxima safra.
*Com supervisão de Isadora Camargo e Luciana Franco)

