Mais de mil imigrantes saídos do Marrocos chegaram nadando ao território espanhol de Ceuta. Junto com Melilha, essa região representa as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente africano.
Segundo a analista de Internacional Fernanda Magnotta, durante o CNN 360º desta quinta-feira (30), o episódio ilustra uma tendência já documentada por especialistas: “O endurecimento de fronteiras não elimina a migração.”
Magnotta explicou que o que muda nas dinâmicas de imigração é a forma como ela vai acontecer: “Quem tem que migrar, migrará, encontrará meios de migrar”, afirmou.
A analista explicou que para reverter esse tipo de condição, seria necessário combater o problema de maneira estrutural, atacando as causas que levam aos processos migratórios, como guerras, pobreza, falta de oportunidades e mudanças climáticas.
“Seria necessário atacar essas fontes de problema para evitar a consequência, que é a busca de condições melhores, como é o caso desses imigrantes que a gente vê em Ceuta”, ressaltou Magnotta.
A analista destacou ainda um paradoxo político decorrente do fenômeno. Segundo ela, à medida que as ondas migratórias continuam, forças políticas com discursos nacionalistas e anti-imigração saem fortalecidas, o que leva a novas medidas mais rígidas nas fronteiras.
“É um ciclo vicioso difícil de desfazer, porque as pessoas que enfrentam dificuldades vão se submetendo a condições de travessia cada vez mais desumanas, inclusive fortalecendo muitas vezes redes internacionais de tráfico de pessoas”, explicou.
A analista citou Áustria, Alemanha, Espanha e Itália como exemplos de países onde esse ciclo já se manifestou de forma recorrente. “A tendência é que isso se repita indefinidamente”, afirmou Magnotta.

