Fontes da agência de notícias Reuters informaram que o Irã poderia receber, nas próximas semanas, centenas de lançadores de mísseis de fabricação chinesa. O eventual reforço teria como objetivo ajudar o país a reconstruir seus sistemas de defesa em meio ao conflito com os Estados Unidos. A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta comenta o tema ao CNN 360°.
A China negou rapidamente o envio de armamentos ao Irã e afirmou que Pequim permanece comprometida com a paz. A negativa veio a público pouco após a divulgação das informações pela Reuters.
Análise: impacto no conflito
Para Fernanda, o eventual auxílio representaria “de certa maneira, uma nova etapa nesse conflito”. Ela ressaltou, no entanto, que a questão deve ser tratada em modo condicional, uma vez que a própria China negou o envio das armas.
Segundo a analista, o que foi divulgado diz respeito a armamentos de caráter defensivo — voltados, em geral, à proteção contra drones e aeronaves de baixa altitude —, e não a armas ofensivas.
Magnotta avaliou que, caso o envio se confirmasse, não haveria uma mudança de paradigma em relação a quem domina os céus no conflito. Contudo, “certamente haveria elevação dos custos” da campanha aérea norte-americana.
Em suas palavras, “nós teríamos a China subsidiando, ajudando o Irã a elevar o custo da campanha aérea norte-americana”.
Conflito ganha dimensão extra-regional
A analista destacou ainda que o cenário ampliaria o escopo da guerra, que “definitivamente deixaria de ser apenas uma guerra de caráter regional”.
Ela lembrou que, há algumas semanas, já se observa um acompanhamento progressivo dos países em relação ao papel que a Rússia desempenha no conflito, com discussões sobre o papel de “armador” que a Rússia teria nesse contexto.
Com a eventual entrada da China, o preço do conflito seria elevado “de uma vez por todas”, segundo Magnotta.
A analista também explicou a posição ambígua da China na região. Pequim precisa manter boas relações tanto com o Irã — um dos principais fornecedores de energia para a China — quanto com os países do Golfo, igualmente parceiros estratégicos.
Além disso, a China tenta se posicionar como mediadora e busca não afetar a estabilidade de sua relação com os Estados Unidos.
Caso o envio de armas fosse confirmado, Magnotta avaliou que os Estados Unidos seriam levados a algum tipo de retaliação, “talvez sanções, talvez até algum tipo de ameaça mais dura”, o que explicaria a pressa da China em desmentir publicamente a informação.

