Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou a sessão desta quarta-feira (29) cotado a US$ 11,92 por bushel, com queda de 2,23%.
O mercado foi pressionado pela percepção de que a China segue aumentando as compras de soja brasileira, enquanto reduz a aquisição do produto norte-americano. De acordo com a Royal Rural, a movimentação acende um alerta em Chicago, já que a demanda chinesa continua presente, mas mais direcionada ao Brasil.
Dados do mercado apontam que a China importou 12,1 milhões de toneladas de soja brasileira no último mês, alta de 14% na comparação anual. No mesmo período, as compras de soja dos Estados Unidos recuaram 21%, para 1,27 milhão de toneladas.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou 34,8 milhões de toneladas de soja para a China, crescimento de 9,1%. Já os embarques norte-americanos para o país asiático caíram 42%, para 9,31 milhões de toneladas.
Para a Royal Rural, o movimento reforça a preferência chinesa pela soja brasileira e reduz o suporte aos preços da commodity na Bolsa de Chicago.
No milho, os investidores seguem divididos entre a pressão dos preços em Chicago e a atenção às condições climáticas nos Estados Unidos. Alertas de calor foram emitidos para regiões como Montana, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Minnesota e Wisconsin, áreas importantes do cinturão produtor.
As previsões indicam temperaturas próximas de 39 graus Celsius em pontos do sul da Dakota do Norte e norte da Dakota do Sul. O clima permanece como um fator de risco para as lavouras de milho e soja, que ainda atravessam fases importantes de desenvolvimento.
Milho
O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou a sessão na Bolsa de Chicago com queda de 1,82%, cotado a US$ 4,71 por bushel.
Segundo a Granar, a baixa foi influenciada por movimentos de realização de lucros por parte dos investidores, além da previsão de chuvas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
As primeiras precipitações chegaram ao Nebraska, um dos estados mais afetados pelo déficit hídrico. Na segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu a parcela das lavouras de milho classificadas como boas ou excelentes de 65% para 60%.
Cálculos privados indicam que fundos de investimento liquidaram cerca de 20 mil contratos de milho durante a sessão.
Apesar da pressão no curto prazo, o mercado ainda acompanha fatores que podem limitar as perdas, como as incertezas sobre o ritmo das exportações da Ucrânia, diante dos danos causados pela Rússia à logística dos principais terminais portuários ucranianos no Mar Negro.
Além disso, a expectativa de menor produção na União Europeia, afetada pelo clima seco e quente, pode elevar a necessidade de importações do bloco e dar suporte às cotações internacionais.
Trigo
O mercado do trigo encerrou o pregão com leve queda nos Estados Unidos, após uma sessão marcada por volatilidade e influência do movimento de investidores no setor de grãos.
O contrato futuro do trigo para entrega em setembro registrou desvalorização de 0,26% e fechou cotado a US$ 6,60 por bushel.
Segundo a Granar, a pressão vendedora de fundos de investimento sobre as commodities agrícolas pesou sobre as cotações do trigo, ainda que em menor intensidade. As previsões de chuvas em Dakota do Norte, principal estado produtor de trigo de primavera dos EUA, também contribuíram para o recuo, com expectativa de melhora nas condições das lavouras plantadas mais tarde.
Apesar da baixa, as perdas foram limitadas por preocupações com a oferta global. A redução da produção norte-americana e as incertezas comerciais provocadas pelo aumento das tensões no Mar Negro continuam dando suporte aos preços.
A Rússia enfrenta restrições para o escoamento de cargas pelo Mar de Azov, região responsável por parte relevante das exportações do país, enquanto a capacidade de transporte marítimo nos principais portos da Ucrânia segue pressionada após novos ataques.
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