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Preço da picanha em alta pode mudar debate eleitoral em 2026

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Preço da picanha em alta pode mudar debate eleitoral em 2026

Símbolo da campanha eleitoral o preço da picanha chegou a cair no começo do governo Lula, não pela política econômica e, sim por causa do ciclo pecuário.

Em 2022, na disputa ao Planalto, com o poder de compra pressionado (pelos efeitos da pandemia e da guerra na Ucrânia) e a inflação em alta (o IPCA em abril de 2022 acumulou alta de 12,1% em 12 meses) o churrasco virou artigo de luxo.

Colocar a carne, e principalmente o corte nobre, na mesa do brasileiro se tornou tema recorrente do debate político.

Mas esse ano, com novo movimento de alta na pecuária, o discurso pode mudar de lado. Não pelas questões econômicas, como o endividamento das famílias, mas principalmente pelo que acontece no campo.

Levantamento exclusivo feito pela consultoria Safras & Mercado para a CNN mostra que o preço da picanha, deflacionado pelo IPCA, fechou o mês de junho custando R$ 85,10 o quilo.

Na comparação com junho de 2025 o avanço chega a 21%, em 12 meses, em valores deflacionados.

A análise, feita a partir de dados de janeiro de 2023, mostra que a picanha atingiu o valor mais alto da série em janeiro desse ano: R$ 85,59 o quilo.

A promessa de carne bovina mais acessível realmente aconteceu. Mas o movimento de baixa não tem relação com a política de preços, mas com o próprio ciclo da pecuária.

A virada de ciclo produtivo nas fazendas 

No primeiro ano após o pleito os preços da carne bovina começaram a cair, em variações abaixo do IPCA, porque coincidiu com o fim do “ciclo de alta” nas fazendas.

Quando os preços do boi gordo estão bons os pecuaristas aumentam os investimentos na produção de bezerros e animais para reposição.

O ciclo pecuário “vira” quando os preços desses animais de reposição começam a cair.  Desestimulados os criadores abatem as fêmeas, as reprodutoras. Assim aumenta a oferta de carne no mercado interno que pressiona os preços.

Entre 2023 e 2024 auge no abate de fêmeas, o churrasco realmente ficou mais acessível.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA, o consumo doméstico de carne bovina no Brasil cresceu 7,8%, entre 2022 e 2023, e mais 2,0% em 2024. Chegou a 38 quilos por pessoa, o maior desde 2014, de acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Em 2025, com o aumento dos preços o consumo recuou 9%, passou para 31,9 quilos por pessoa.

Resumo da evolução do poder de compra em junho: 

Ano (Junho) 

Salário Mínimo  Preço do Quilo (Picanha)  Quilos por Salário Mínimo 
2023  R$ 1.320,00  R$ 63,44 

20,81 kg 

2024  R$ 1.412,00  R$ 60,26 

23,43 kg 

2025  R$ 1.518,00  R$ 70,10 

21,65 kg 

2026  R$ 1.621,00  R$ 85,10 

19,05 kg 

  • 2023: Com o reajuste do piso mínimo para R$ 1.320, em maio, e o quilo cotado a R$ 63,44, o poder de compra situou-se em 20,81 quilos.  
  • 2024: Mesmo com um patamar salarial superior (R$ 1.412), a queda pontual no preço da picanha para R$ 60,26 elevou a quantidade adquirida para o melhor resultado do período de junho: 23,43 quilos  
  • 2025: O avanço no preço da carne para R$ 70,10 pesou sobre o orçamento, reduzindo o volume de aquisição para 21,65 quilos, com o salário em R$ 1.518.  
  • 2026: Com a alta expressiva da picanha atingindo R$ 85,10, o poder de compra recuou para o menor patamar da série em junho: 19,05 quilos. Abaixo de 20 quilos pela primeira vez no recorte, mesmo com o salário-mínimo em R$ 1.621. 

Um fôlego na alta com a ausência da China

Apesar da tendência de novas altas para carne o mercado externo também deve influenciar, pontualmente.

A desaceleração nas vendas de carne bovina para a China, com o esgotamento da cota 2026, e a expectativa de uma maior oferta de animais saindo dos confinamentos tendem a aumentar a oferta de carne no mercado interno, desacelerar a alta e até registrar algum recuo durante nova corrida eleitoral. Mas será algo pontual.

Esse “respiro” pode ser visto no varejo. Levantamento da Apas (Associação Paulista de Supermercados) mostra que o quilo da picanha recuou 0,55% em junho, em São Paulo.

“A alta nos preços das carnes vai se manter por causa da oferta restrita, a redução do rebanho, e a escassez de gado e carne no mercado”, completa Fernando Henrique Iglesias, especialista do Safras & Mercado.

Para o analista de pecuária Hyberville Neto, da HN Agro “agora, com o ciclo pecuário em fase de contração de oferta, e preços reais da carne bovina ultrapassando os índices de inflação, o corte que virou símbolo de acessibilidade pode se tornar argumento oposto no debate eleitoral de 2026″.

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