O escritório de direitos humanos da ONU alertou nesta quarta-feira (29) para o agravamento da violência perpetrada por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada e instou à ação internacional contra o assassinato de palestinos, bem como contra a criação de assentamentos, que, segundo a organização, atingiram níveis recordes.
Segundo dados das Nações Unidas, 18 palestinos foram mortos em casos ligados a ataques de colonos somente neste ano, em comparação com 17 em todo o ano de 2025.
A Autoridade Palestina afirma que pelo menos 20 palestinos foram mortos por colonos desde o início do ano.
Na última sexta-feira (24), quatro palestinos e dois soldados israelenses — um dos quais atuava como coordenador de segurança de um assentamento israelense próximo — foram mortos quando um grupo de colonos israelenses, alguns armados, se aproximou da vila palestina de Tal, a sudoeste de Nablus.
“Colonizadores e forças de segurança israelenses, muitas vezes agindo em conjunto, atacaram comunidades locais, agredindo famílias, destruindo e confiscando propriedades e incendiando mesquitas“, disse Ravina Shamdasani, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em um comunicado.
O governo e as forças armadas israelenses não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da agência de notícias Reuters.
O escritório de direitos humanos da ONU afirmou que a violência dos colonos e as ações que equivalem à anexação contínua de território palestino na Cisjordânia pioraram nos dois anos que se seguiram à decisão da Corte Internacional de Justiça, em julho de 2024, que considerou ilegal a ocupação israelense do território palestino e dos assentamentos na região, determinando seu fim.
Na época, Israel rejeitou a decisão, classificando-a como “fundamentalmente errada” e unilateral.
A violência na Cisjordânia aumentou consideravelmente desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, com a ONU, grupos de direitos humanos e autoridades palestinas relatando um aumento acentuado nos ataques de colonos.
No início de julho, o gabinete de segurança de Israel aprovou 1,3 bilhão de shekels (cerca de US$ 434 milhões) para a construção de 34 novos assentamentos na Cisjordânia, território conquistado por Israel na guerra de 1967 e reivindicado pelos palestinos como núcleo de um futuro Estado.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, defensor da anexação total da Cisjordânia, classificou a medida como “histórica”.
Órgãos da ONU, palestinos e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais segundo convenções internacionais — posição contestada por Israel — e um grande obstáculo à paz.
Israel cita laços bíblicos e históricos com a terra, que considera território disputado, onde judeus vivem há milhares de anos.
Cerca de 700 mil colonos israelenses vivem entre 2,7 milhões de palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
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