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Estratégia do centrão dificulta coalizões nacionais em corrida ao Planalto

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Estratégia do centrão dificulta coalizões nacionais em corrida ao Planalto

As convenções partidárias que oficializam as chapas presidenciais também evidenciam uma mudança na estratégia das principais siglas do centrão para as eleições deste ano. Parte do centrão evita entrar diretamente na disputa pelo Palácio do Planalto e prioriza outras corridas: a do Congresso Nacional e dos governos estaduais.

A decisão do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) de adotar a neutralidade na disputa presidencial – pela primeira vez desde o primeiro turno de 2006 – não é um movimento isolado. A federação União Brasil-Progressistas e os partidos Podemos e Republicanos caminham nessa mesma direção.

Na prática, essas legendas liberam os diretórios estaduais para construírem alianças conforme as conveniências políticas de cada estado. Em alguns locais, os partidos estarão ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em outros, apoiarão o candidato do PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro.

Sem se vincular nacionalmente a um presidenciável, o objetivo é ampliar a presença das siglas nos estados, elegendo o maior número possível de senadores, deputados federais e governadores. Ao mesmo tempo, a estratégia preserva espaço para negociações com quem vencer a eleição presidencial.

A neutralidade também oferece maior flexibilidade às legendas, ajuda a reduzir conflitos internos e concentra esforços na ampliação das bancadas no Congresso Nacional. O desempenho eleitoral é um dos critérios utilizados para definir os valores milionários recebidos pelos partidos por meio do fundo eleitoral e do fundo partidário.

Outro aspecto é que, com o avanço das emendas parlamentares e o controle crescente do Legislativo sobre o Orçamento federal, parte dos dirigentes já não enxerga a Presidência da República como o único caminho para acumular poder.

Por outro lado, esse cenário impõe dificuldades à formação de coalizões nacionais, já enfrentadas pelos dois principais candidatos ao Planalto na construção de alianças. Lula conseguiu reunir praticamente toda a esquerda em torno de sua candidatura, mas não avançou sobre as grandes siglas do centrão em âmbito nacional.

Já Flávio Bolsonaro chegou à convenção do PL sem o apoio formal dos principais partidos de centro e ainda sem um candidato a vice-presidente definido, apesar dos cortejos.

A estratégia do centrão também isola outros presidenciáveis. O PSD (Partido Social Democrático) bancou a candidatura de Ronaldo Caiado, mas, sem atrair outras legendas para a composição nacional, optou por uma chapa puro-sangue, tendo o presidente da sigla, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente. A aposta é conquistar o eleitor de centro-direita que rejeita tanto Lula quanto Bolsonaro.

Situação parecida vive Romeu Zema, do Novo. Ainda sem candidato a vice, a direção do partido admite que uma chapa pura continua entre as possibilidades.

São retratos da dificuldade de formação de alianças nacionais mais amplas com o centrão nesta eleição.

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