Senadores democratas pediram à SEC, o órgão regulador do mercado de valores mobiliários dos Estados Unidos, que investigue se o plano da Trump Media de vender acesso antecipado às publicações do presidente Donald Trump nas redes sociais viola a lei, de acordo com um documento visto pela Reuters.
A Trump Media é controladora da Truth Social, a rede social criada pelo líder republicano. A solicitação à SEC foi feita pelos democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff.
Neste mês, a Trump Media revelou um feed de dados pago e licenciado que dará às corretoras “o acesso mais rápido” às publicações das dez contas mais influentes do Truth Social, incluindo a do presidente.
A carta dos senadores, enviada na terça-feira (28), ressalta o que algumas fontes do setor consideram riscos legais, políticos e regulatórios.
“Isso parece ser um abuso escandaloso do cargo de presidente para seu benefício pessoal, que prejudica os investidores comuns e a integridade de nossos mercados, ao mesmo tempo em que enriquece Wall Street e outros participantes privilegiados e abastados”, afirmaram Warren e Schiff na carta dirigida ao presidente da SEC, Paul Atkins.
Warren e Schiff pontuaram que a Truth API seria o exemplo mais recente de como Trump mistura seus negócios pessoais com assuntos presidenciais, levantando questões éticas.
O presidente informou no mês passado, por exemplo, que recebeu mais de US$ 1,4 bilhão (equivalente a cerca de R$ 7,1 bilhões) no ano passado com os projetos de criptomoedas de sua família.
Um porta-voz do órgão e de Atkins confirmaram o recebimento da carta, mas se recusaram a fazer mais comentários.
A Casa Branca encaminhou os pedidos de comentário à Trump Media, que não respondeu imediatamente.
Acesso antecipado por US$ 100 mil por mês
A Trump Media discutiu a cobrança de até US$ 100 mil (equivalente a cerca de R$ 510 mil) por mês pelo produto Truth API, segundo apuração da Reuters.
As publicações de Donald Trump nas redes sociais já movimentaram os mercados no passado, e os lucros de muitas das principais corretoras, fundos de hedge e empresas de serviços financeiros dependem fortemente da velocidade com que conseguem negociar com base nessas notícias.
Trump, que detém cerca de 41% da Trump Media por meio de um fundo fiduciário administrado por seus filhos, deve lucrar com o modelo de acesso pago.
A empresa afirmou já ter conquistado clientes antes do lançamento em 1º de agosto, mas não revelou quem eles são.
Embora as plataformas de tecnologia geralmente tenham permissão para oferecer aos clientes acesso antecipado aos dados, mesmo que isso prejudique alguns participantes do mercado, alguns especialistas em ética afirmaram que o produto Truth API é diferente, porque as publicações de Trump são informações governamentais e ele tem a obrigação de divulgá-las publicamente.
Warren e Schiff também observaram que Trump já utilizou no passado o Truth Social para recomendar ações específicas, incluindo Citigroup, Intel e Palantir, o que, segundo eles, aumenta o risco de uso de informação privilegiada e de minar a confiança dos investidores de que o mercado opera em condições equitativas.

