A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro (MG), uma das principais regiões produtoras de cafés especiais do Brasil, alcançou 60% da área prevista para a safra 2026/27 até o dia 24 de julho, informou a Expocacer (Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado).
Segundo boletim semanal da Cooperativa, 40% do volume já colhido passou pelo beneficiamento, com rendimento médio de 515 litros para cada saca de 60 quilos de café beneficiado. No mesmo período da safra passada, os trabalhos estavam em 63%, embora o volume produzido naquele ciclo tenha sido inferior ao esperado para este ano.
Apesar do avanço considerado “satisfatório” – e da expectativa de recuperação do atraso registrado no início da temporada -, os produtores estão de olho na maturação dos frutos, que pode limitar a oferta de lotes de maior qualidade por não estarem uniformes.
Os técnicos da cooperativa classificam a maturação desta safra como “irregular”, com predominância de frutos passa e secos, além de um percentual de cafés verdes acima da média histórica.
A consequência é a menor disponibilidade de frutos no estágio cereja, considerado ideal para a produção de cafés cereja descascado, processo amplamente utilizado na obtenção de cafés especiais de maior valor agregado.
Apesar desse cenário, a qualidade da bebida dos cafés recebidos apresentou melhora na última semana, destacou o boletim da cooperativa.
Ainda assim, o percentual de catação — etapa em que são retirados grãos com defeitos — permanece acima de 15%, indicando que os produtores seguem enfrentando maior necessidade de seleção para manter o padrão de qualidade exigido pelo mercado de especiais.
Grãos de chão
Outro movimento esperado nesta fase mais avançada da colheita é o aumento da entrada de grãos de chão, que começam a chegar às unidades de recebimento da cooperativa.
A perspectiva para as próximas semanas, no entanto, é considerada positiva. A previsão de tempo seco, com elevação das temperaturas e baixo volume de chuvas, deve acelerar a retirada dos frutos remanescentes das lavouras, favorecer a secagem do café e melhorar as condições para as operações mecanizadas.
Na avaliação dos técnicos, esse cenário tende a elevar a eficiência da colheita, reduzir as interrupções provocadas pela umidade e permitir que os trabalhos sejam concluídos dentro da janela considerada ideal, até o início de setembro.
Embora tenham sido registradas chuvas pontuais nos dias 24 e 25 de julho, que atrasaram temporariamente a colheita e a secagem em algumas propriedades, os modelos meteorológicos indicam precipitações pouco expressivas nos próximos dias, com média de apenas 0,1 milímetro na região.
Mesmo assim, a cooperativa recomendou aos produtores acompanhem as condições climáticas em cada município, já que as chuvas previstas podem ocorrer de forma localizada e com intensidades diferentes.

